quarta-feira, 11 de abril de 2007

Censura de novo

Archibaldo Antunes

O jornal O Rio Branco censurou artigo meu sobre a defesa canhestra que fez o deputado federal Nilson Mourão ao ex-governador e ainda comandante Jorge Viana, por conta da matéria que Veja publicou sobre o desmatamento. A censura é sintomática, pois o governo reabriu os cofres públicos aos empresários da comunicação. A gráfica Printac, que imprimia o jornal de oposição Folha do Acre, também se negou a prosseguir prestando o serviço, o que obrigará o diretor, Antonio Stélio, a procurar a praça de Rondônia e o faz pensar que o proprietário atendeu pedido da turma do PT.

Há quem tenha apostado que Binho Marques é libertário e democrata, mas esses exemplos provam que não passa de mais um tiranozinho ocupado com a manutenção do poder enquanto Jorge Viana saiu de férias.

Cabe à oposição resistir à essa gente daninha e acostumada aos salamaleques de um grupo cada vez maior de bajuladores.

O artigo sobre Nilson Mourão ainda pode ser lido aí embaixo.

CRM ameaça interditar hospital de Xapuri

Os serviços de saúde no Hospital Epaminondas Jácome, em Xapuri, são mais do que precários. A constatação é do Conselho Regional de Medicina do Acre (CRM), que ameaça interditar a unidade de saúde caso o governo estadual, responsável por sua administração, não tome providências. Na terça-feira, os vereadores do município se reuniram para ouvir a gestora-interina do hospital, Alcelina da Silva Oliveira. Ela confirmou as falhas no atendimento e as precárias condições do prédio.

Em relatório feito no ano passado, os técnicos do CRM constataram diversas irregularidades no Epaminondas Jácome, entre elas a falta de anestesista e banco de sangue. Há apenas uma ambulância para transporte de pacientes. Alcelina também confirmou que uma paciente morreu por não haver um segundo veículo para transportá-la a Rio Branco.

O hospital estadual não possui ambulatório para análises clínicas. O serviço tem sido feito por um centro de saúde administrado pela prefeitura de Xapuri. “Mas durante a noite e nos finais de semana, como o centro está fechado, não dispomos do serviço”, confirmou Alcelina.

Segundo o assessor jurídico do CRM, Miguel Ortiz, o relatório da entidade revelou ainda que os médicos são obrigados a usar cânulas para crianças em pacientes adultos submetidos a cirurgias.

O hospital também não dispõe de aparelho de raio-x, danificado há mais de 30 dias. “Fizemos a requisição da peça que quebrou, mas até agora não recebemos resposta da Secretaria de Saúde”, afirmou Alcelina. Ela contou ainda que um simples reparo num aparelho de ar condicionado pode demorar mais de dois meses.

Preocupação
O requerimento que originou a sessão de terça-feira foi iniciativa do vereador Iran Vasconcelos (DEM, ex-PFL). O vereador se disse preocupado com a quantidade de denúncias que recebe sobre a precariedade do hospital Epaminondas Jácome.

Segundo Alcelina, os pedidos de providência para os problemas detectados pelo CRM foram encaminhados à Secretaria de Saúde. Mas por ter passado por uma reforma inconclusa, o hospital não recebeu as devidas melhorias. Ela disse ainda que no domingo o secretário de Obras do Estado, Eduardo Vieira, foi ao município para avaliar as condições do prédio e garantiu o término das obras, abandonada pela empreiteira que já teria sido acionada na Justiça.

Em conversa com o secretário de Saúde, Osvaldo Leal, Miguel Ortiz ouviu que os benefícios à unidade de saúde foram sustados por causa do imbróglio com a empreiteira fujona.

“A população de Xapuri não tem nada a ver com isso, e o governo precisa cumprir sua obrigação de oferecer o atendimento”, disse ele.

O assessor do CRM atribuiu parte da responsabilidade à maneira como o SUS (Sistema Único de Saúde) é gerido pelo governo federal. “A União concentra as verbas, e aos estados e municípios cabem as obrigações”, disse.

Ortiz afirmou que não pode haver pacientes do município, do Estado e da União. “São todos do SUS”, esclareceu.

O prefeito Vanderley Viana de Lima (PMDB) concorda. E por isso pôs à disposição da diretoria do Epaminondas Jácome os serviços ambulatoriais do município.

Veja Acerta nos Dados

Altino Machado

Conversei demoradamente com Carlos Souza Júnior, secretário executivo do Instituto do Homem e Meio Ambiente (Imazon). Ele coordenou as pesquisas que resultaram no relatório da dinâmica do desmatamento no Acre, no período de 1988 a 2004, publicado pela revista Veja e que fez estremecer o Governo da Floresta.

Perguntei basicamente se a reportagem de Veja havia cometido algum equívoco na interpretação dos dados da pesquisa. Carlos Souza Júnior disse que os dados reproduzidos por Veja estão corretos, mas ponderou que a revista não deveria ter tentado desqualificar a política florestal do Acre.

- O nosso estudo se baseou em imagens de satélite. Agora os dados do desmatamento no Acre naquele período precisam ir além, sendo confrontados com as autorizações que foram expedidas pelo Ibama e Imac, para que possamos saber o percentual que ocorreu de modo legal e ilegal. Veja politizou a reportagem ao ignorar os avanços da política florestal acreana e por não ter esclarecido ao leitor que existe desmatamento legal e ilegal - afirmou o diretor do Imazon.

O desmatamento bruto no Acre, segundo o Imazon, passou de 6.149 km2 em 1988 para 16.618 km2 até 2004, representando um aumento de 10.469 km2 de áreas desmatadas em 16 anos.

- De acordo com os dados do Inpe [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais], no mesmo período o desmatamento foi de 18.587 Km2 - comparou o pesquisador.

O melhor mesmo é o leitor baixar o estudo do Imazon e confrontá-lo com a interpretação de Veja e do Governo da Floresta. Os dados contidos nele são irrefutáveis. Clique aqui.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

O alquimista Nilson Mourão

Archibaldo Antunes, jornalista

O deputado federal Nilson Mourão, do PT, que já celebrou a prisão de uma jornalista inglesa por ter se recusado a revelar sua fonte, contestou matéria de Veja desta semana sobre o desmatamento no Acre. Segundo a revista, o companheiro Jorge Viana escondeu dados do Imazon sobre a devastação da floresta no período em que governou o Estado. O repórter Leonardo Coutinho, baseado em levantamento do instituto, revela que nos últimos anos foi derrubado o equivalente a 14 estádios de futebol por hora de floresta nativa.

A réplica de Mourão à reprodução da matéria foi publicada no blog do jornalista Altino Machado (www.altino.blogspot.com). O deputado petista, que já rasgou um exemplar de Veja no plenário da Câmara e acha que jornalismo é caso de polícia sempre que o noticiário é desfavorável ao governo, recorreu a sofismas para defender o ex-governador.

Sofisma, para quem não lembra, é um raciocínio com ares respeitáveis, mas com intenções cafajestes (algo como um deputado que vive de pregar a moralidade e recebe mensalão). Mourão diz, por exemplo, que a matéria induz o leitor a pensar que em oito anos de petismo não houve cuidado com a floresta e que as ações do governo não contribuíram com a preservação dos recursos naturais. Nada mais enganoso. Os dados, por si, mostram que houve negligência com o meio ambiente, e o ato de escondê-los da população só agrava a culpa de quem permitiu o descalabro.

Em seguida, segundo Machado, Nilson Mourão argumenta que “o jornalista afirma apenas parte da verdade, ou seja, que a área desmatada no Acre aumentou. Meia verdade porque a área desmatada aumentou não só no Acre, mas em toda Amazônia, no mesmo período citado”.

Essa pérola do raciocínio indutivo revela que a ciência de Mourão é a mesma dos alquimistas – aqueles lunáticos que tentavam, em vão, transformar chumbo em ouro. Primeiro porque dizer que aumentou a área desmatada no Acre não é parte de uma verdade maior, mas uma verdade em si, cuja comprovação foi feita pela leitura do satélite. Segundo porque a outra verdade – a de que o desmatamento aumentou em toda a Amazônia, e não só no Acre, – não invalida a primeira. E terceiro porque, mesmo que o ritmo do desmatamento no Acre tenha sido menor do que no resto da Amazônia brasileira, deve ser mantida a responsabilidade de quem obteve lucros políticos com a balela da “florestania”.

Em estilo obtuso, Mourão tenta explicar ainda as diferenças metodológicas entre o levantamento feito pelo Imazon e o realizado pelo Inpe. Gira em torno da tecnicidade da questão para afinal dizer que a disparidade de um por cento entre os dois estudos é fruto da precisão do primeiro, que não levou em conta as “áreas regeneradas”. Tem-se a impressão que o problema está na metodologia, na ciência, nos cientistas ou na imprensa – e não na permissividade com as motoserras.

A continuar sendo defendido dessa forma, em breve o ex-governador vai precisar de um advogado.

Donald Fernandes recebe prêmio em Brasília por trabalho social


O deputado estadual Donald Fernandes (PSDB) receberá na quarta-feira, em Brasília, o Troféu Integração/Prêmio Imprensa pelo desempenho parlamentar e pelo trabalho social que desenvolve frente à Apadeq (Associação de Parentes e Amigos dos Dependentes Químicos do Acre). A distinção é conferida há 25 anos pelo apresentador Hélio Henrique, da TV A Gazeta, a personalidades e instituições do Brasil e do exterior. Entre os agraciados mais ilustres do Troféu Integração/Prêmio Imprensa consta o nome do empresário Silvio Santos, homenageado em 2006.

“Trata-se do reconhecimento pelo longo tempo de dedicação ao tratamento de pessoas que se envolveram com as drogas e por minha atuação como parlamentar. Estou satisfeito com a distinção e quero dividi-la com todos aqueles que me acompanham nessa trajetória, inclusive os que deram a volta por cima e provaram que uma nova vida é possível”, afirmou Donald Fernandes pouco antes de embarcar para a capital federal.

O deputado tucano vai receber troféu e diploma em jantar a ser realizado na noite de quarta-feira pela empresa Web TV Studios, de propriedade do apresentador Hélio Henrique.

Segundo informações do próprio apresentador, o Troféu Integração/Prêmio Imprensa foi concedido a senadores da República, ministros de Estado, embaixadores, reitores, prefeitos e governadores.

Deu na Veja

Matéria da revista revela que a devastação no Acre foi maior sob o governo de Jorge Viana

Leonardo Coutinho

O petista Jorge Viana governou o Acre por oito anos, de 1999 a 2006. Logo que chegou ao poder, percebeu que o discurso ambiental poderia lhe render projeção nacional e batizou sua gestão de "governo da floresta". No segundo ano de mandato, passou a alardear que havia contido o desmatamento em seu estado. Tornou-se um dos astros do petismo e aproximou-se do presidente Lula. Seu peso político aumentou tanto que, agora, mesmo sem mandato, disputa com José Sarney e Jader Barbalho quem apadrinhará o próximo superintendente da Sudam, a Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia. A imagem de Viana como protetor da natureza, no entanto, está tão ameaçada quanto a mata que ele diz defender. VEJA teve acesso a um estudo encomendado pelo próprio petista que mostra que, nos seis primeiros anos de sua gestão, a velocidade do desmatamento no Acre triplicou e chegou à marca de 995 quilômetros quadrados em 2004. É como se uma área de floresta do tamanho de catorze campos de futebol fosse derrubada por hora. Pior: o estudo, feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), revela ainda que, de todo o desmatamento do Acre, cerca de um terço ocorreu durante a administração de Viana. O então governador recebeu as conclusões do estudo em agosto do ano passado – e as escondeu.

Em setembro de 2003, VEJA já havia informado que a devastação no estado aumentara no governo do PT. Viana se esforçou para desqualificar a reportagem. Alegou que os números apresentados estavam errados e escalou jornalistas pagos com dinheiro público para replicar sua defesa pelo país. Em seu estado, usou dinheiro do Erário para atacar VEJA nos jornais e TV locais. "No meu governo, o desmatamento só cai", jurava ele. Poderia ter-se poupado. O estudo do Imazon, feito com base em imagens de satélite, tem um grau de precisão inédito no país e confirma o diagnóstico da destruição. No Acre, entretanto, Viana mantém sua boa imagem, principalmente entre os onguistas. Sintomático. Lá, nem os "povos da floresta" andam preocupados em manter as árvores em pé. No seringal Nova Esperança, em Xapuri, 36% da floresta dentro de sua área foi destruída. A Reserva Extrativista Chico Mendes está salpicada de pastagens. Fatos assim mostram que a falta de avaliações isentas e sem romantismo ameaça tanto a preservação ambiental quanto o crescimento econômico em um estado que já perdeu 11% de suas florestas e continua a ostentar alguns dos piores indicadores sociais do país.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Prefeitura distribui peixe fresco a famílias carentes


A prefeitura de Xapuri garantiu a mais de 500 famílias uma Semana Santa com peixe fresco, ovos e sardinha. A secretária de Bem-Estar Social do município, Iracema Cecília de Souza, comandou a distribuição dos alimentos nos oito bairros da cidade. Foram doados 500 quilos de peixe fresco, 600 dúzias de ovos e 500 latas de sardinha.

“Em dezesseis anos a gente não tinha visto uma ação como essa”, elogiou Josefa Castro, de 72 anos. A moradora lembra que o prefeito Vanderley Viana de Lima também protagonizou a única distribuição de peixe na história de Xapuri, 16 anos atrás.

A ação da prefeitura garantiu a obediência ao rito religioso em residências onde moram católicos desempregados e sem renda. Francisca da Silva Silvino, 52 anos, disse ter “rezado muito por uma solução”, que veio com a distribuição de alimentos realizada pela Secretaria de Bem-Estar social.

“Eu e meus filhos não teríamos o que comer hoje não fosse essa iniciativa da prefeitura”, afirmou Francisca.

A Secretaria Municipal de Bem-Estar Social mantém cadastro de 400 famílias carentes, com as quais trabalha em diferentes atividades, inclusive de geração de renda. Outras cem famílias não-cadastradas também receberam os benefícios da Semana Santa.

De acordo com o assessor de comunicação do gabinete do prefeito, Josimar Tavares do Santos, a ação reitera o compromisso do prefeito em administrar para os mais humildes.

Vanderley de Lima informou que a compra dos alimentos distribuídos à população foi feita com recursos próprios.

“Estamos trabalhando para restabelecer a dignidade de pessoas que antes viviam esquecidas pelo poder público”, disse o prefeito.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Mais do mesmo

Archibaldo Antunes, jornalista

Suspeito que o governo de Binho Marques seja uma reles extensão do antecessor por um detalhe que passou despercebido aos colegas jornalistas: até agora o governador sequer tocou no tema do direito à informação pública, por oito anos sublimada em nome de um pragmatismo que faria orgulhar Maquiavel. Tive a pachorra de reler as 2.480 palavras que compõem o discurso de posse do atual governador, e, para minha preocupação, ali não encontrei uma única referência ao tema, além do excesso de louvaminhas ao antecessor, Jorge Viana.

Se é verdade que o novo-velho governo do PT administrará o Acre em parceria com a sociedade civil organizada, conforme foi dito e reiterado nesses três primeiros meses, o direito à informação pública deve ser prioridade para que as ações governamentais se tornem cristalinas, e essa participação legitime-se no conjunto da população.

Jorge Viana, por razões que suspeito e outras que nem desconfio, nos escamoteou informações do âmbito de sua administração, tratando-a como um negócio particular. Ora, comandar o Estado é diferente de cuidar de granja, ainda que muitos eleitores tenham inteligência inferior a dos galináceos. O ex-governador deixou atrás de si um rastro de autoritarismo que levará ainda muito tempo para ser apagado, sobretudo se não atentarmos à necessidade de tornar transparentes os atos do Poder Executivo - e exigir que isso seja feito daqui por diante.

Oito anos desse jogo de esconde obrigou a criação de uma tropa de choque cujas ramificações podem ser encontradas no Judiciário, no Legislativo e na imprensa. E gerou pelo menos um momento hilariante, com o deputado Moisés Diniz (PC do B) querendo dar publicidade ao que por natureza já é público, ao apresentar projeto que tornava obrigatória a divulgação das estatísticas da Secretaria de Segurança. Não sei, sinceramente, onde Diniz seria menos desastroso – se na Assembléia Legislativa ou em sala de aula, encarregado de ensinar História a nossos filhos.

Meu pessimismo em relação ao Sr. Binho Marques no que diz respeito à falta de acesso às informações públicas tem outra razão de ser. Ao nomear para cargo importante no governo o ex-secretário de Comunicação, Aníbal Diniz, o atual governador considera irrelevantes as “meras irregularidades” cometidas por ele, entre as quais negar ao jornal Folha de S. Paulo, em 2005, acesso ao teor do contrato de mídia do governo com a ASA Publicidade. Eram de interesse público os 13 termos aditivos, que reajustaram em mais de 585% o valor do contrato, que saltou de 4 milhões de reais para mais de 27 milhões. O acesso a informações dessa natureza é importante para que o cidadão, proprietário da montanha de dinheiro que os governos manipulam com ou sem escrúpulos (mais sem do que com ela), possa julgar as ações dos administradores públicos e exigir, se for o caso, as reparações legais.

Em três meses do novo governo, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre sequer disponibilizou as informações exigidas pelo comunista Moisés Diniz, guardadas a sete chaves no governo anterior. Basta visitar o portal do órgão (www.ac.gov.br/sejusp) e verificar que não há dados sobre a criminalidade no Estado, ainda que o Ministério da Justiça acuse a existência, ali, de um setor de estatísticas.

Essas razões, juntas, me fazem crer que no Acre continuarão obstruídos os canais de acesso ao exercício da cidadania.

Imbatível

Mesmo que a serviço do governo da floresta, alguns jornalistas não negam que o prefeito Vanderley Viana de Lima é o mais forte candidato à sua própria sucessão, em 2008. A notinha abaixo foi colhida da coluna de Luis Carlos Moreira Jorge, n'A Gazeta desta terça-feira, 3 de abril.

Sem prestígio
E assim mesmo este moço aparece bem em todas as pesquisas, o que leva à dedução: os seus adversários do PT de Xapuri eleitoralmente são mais fracos do que caldo de batata.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Incompetência no auge

Fernando Rodrigues, na Folha, edição desta segunda-feira

BRASÍLIA - A incompetência administrativa de Lula para solucionar a crise de seis meses do setor aéreo chegou ao seu zênite nos últimos três dias. O Brasil lulista emergiu à perfeição, sem disfarces.

O presidente e os ministros talvez não tivessem condições de reagir com rapidez em outubro passado, em pleno processo eleitoral. Lula não sabia se ficaria mais quatro anos no Planalto. Já em novembro e dezembro houve tempo suficiente para notar quais eram os problemas a serem atacados. O que o presidente fez de prático? Nada.

Os relatos agora indicam uma ação direta de Lula para impedir a demissão e a prisão dos controladores de vôo amotinados. O governo cedeu. Não haveria como substituí-los. Lula "teve bom senso", interpretaram os "spin doctors" palacianos. Deveriam completar: a atitude de rendição veio depois de o presidente passar meses em seu já conhecido estado de catatonia quando demandado a tomar uma decisão técnica e complexa.

Não é crível a impossibilidade de contratar 200 novos controladores de vôo em alguns meses para montar uma equipe de reserva técnica no país. Não é possível que a 10ª economia do planeta não tenha dinheiro para pagar, vá lá, US$ 10 mil por mês a esses controladores a serem recrutados, se não no Brasil, nos países vizinhos ou na América do Norte e na Europa.

Não ocorreu à equipe jeca-tatu, de pensamento insular e majoritariamente monoglota que habita a Casa Civil, Planejamento e adjacências, sugerir algo desse porte ao presidente. Esvaíram-se em conchavos para garantir suas cadeiras e outras para a companheirada petista na Esplanada.

E Lula? Esse é um fenômeno de comunicação. Ontem começaria a veicular a campanha de TV para enaltecer o PAC. Custo: R$ 7,8 milhões. O PAC não existe. E daí? Imagem, Lula sabe, é tudo

Deu no jornal

Sem entender
Quando se ouve a notícia de que Wanderley Viana, depois de tudo que fez e está fazendo, ainda é um candidato forte à reeleição, a conclusão a que se chega é de que as duas administrações petistas na terra de Chico Mendes foram muito ruins.

*Publicada na edição de ontem e hoje do jornal Página 20.

domingo, 1 de abril de 2007

Espinho na garganta do governo

Archibaldo Antunes

A sabatina da secretária de Educação do Acre, Maria Correia, essa semana na Assembléia Legislativa, mostrou que o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) continua a ser um espinho atravessado na garganta do governo. Não bastasse o fato do requerimento à secretária ter sido tratado com a conhecida malandragem do pessoal da Frente Popular, que interpôs “convite” à convocação do deputado Luiz Calixto (PDT), os parlamentares da base aliada seguiram na cantilena de que o Enem não serve como avaliador da qualidade do ensino. Não é o que dizem as autoridades no assunto, entre elas o professor e colunista de Veja Cláudio de Moura Castro, autor de mais de 30 livros sobre Educação e ferrenho defensor da eficácia do Exame. Não é também o que dizem as autoridades do Partido dos Trabalhadores, entre elas o próprio presidente Lula e Aloísio Mercadante, que na eleição do ano passado atacaram a oitava colocação do Estado de São Paulo no mesmo Enem.

A desfaçatez foi mais longe, com a utilização de dados do Saeb (Sistema de Avaliação do Ensino Básico) como prova maior de que a educação acreana melhorou. A malandragem se esconde sob a explicação que faltou. Pois o Saeb avalia o ensino sob a responsabilidade dos municípios, e se algo melhorou no ensino básico o bônus cabe aos prefeitos que fizeram o dever de casa, e não ao governo, que descumpriu com o seu. Aos deputados da oposição passou despercebida a esperteza, mas mesmo que a apontassem, ela seria ignorada pela imprensa (não é mesmo, sr. Raimari?).

Essa semana, segundo a revista Veja, a Fundação Getúlio Vargas publicará levantamento sobre a educação em todo o país, o que nos vai orientar em algumas questões pertinentes (e verdadeiras) à educação acreana. É bom ficar de olho nesses dados, porque eles nos podem revelar o tamanho da gravidade de problemas sequer mencionados na sabatina de dona Maria Correia.

Hora de acabar

De extremo mau gosto a publicidade da minissérie Amazônia na revista Veja desta semana. Em duas páginas, a peça mostra um tronco de árvore e a frase “Amazônia: assista antes que acabe”. O trocadilho infeliz não remete ao perigo do desmatamento da maior floresta do mundo, apenas reforça-nos a convicção de que algumas coisas, quanto mais cedo acabarem, melhor.

Pense bem...

Por que será que os combativos e valentes deputados federais da Frente Popular do Acre não se manifestam sobre o apagão aéreo, que exige sim uma CPI? Por que será que a dona Perpétua Almeida, com o mesmo denodo com que cuidou em trazer para cá os vôos da TAM, agora não subscreve o pedido de CPI? Por que será que o governo Lula não deixa passar a Comissão, já que o problema está no "descontentamento" dos controladores de vôo?

Ah, essa gente é tão torpe em suas maranhas, tão dissimulada em seus objetivos que cansa até mesmo um eleitor desatento.

Salários de ministros e de secretários do Acre

Na imprensa livre, os ganhos dos ministros do governo Lula podem ser criticados, como no texto abaixo, reproduzido do blog do jornalista Reinaldo Azevedo (http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo). Como se vai observar no texto, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, recebe o mesmo que um secretário de Estado aqui no Acre. Se não é uma aberração, ela fica por conta dos "companheiros" da imprensa local que não tratam do assunto.
Ah, eles andam muito ocupados em destrinçar os "podres" da oposição.

“Heróis” de Lula ganham até o triplo do que ele disse
No Estadão, por Eugênia Lopes e Sônia Filgueiras

Chamados de “heróis” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por receberem salários de R$ 8.362,80, boa parte dos ministros recorre a um artifício para engordar seus vencimentos: ganham um extra por participar de conselhos fiscais ou de administração de estatais. Além de exigir trabalho módico - em geral os conselhos se reúnem uma vez por mês -, a remuneração mensal corresponde a até 10% do que ganham em média os diretores da empresa.A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff mais que dobra seus ganhos ao participar dos conselhos da Petrobrás e da BR Distribuidora. Ao salário de R$ 8.362,80 se somam R$ 4.362,67 do jetom do conselho da Petrobrás, um dos mais cobiçados da Esplanada dos Ministérios, e mais R$ 4.354,22 do jetom do conselho da BR Distribuidora. O total chega a R$ 17.079,69.Além de participar do conselho da Petrobrás, o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, integra um colegiado invejado: o da Itaipu Binacional, que não tem as limitações das estatais e paga jetom de R$ 12.179. Tudo somado, ele recebe R$ 24.905,47.“É um subterfúgio legítimo”, diz o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Ministro da Integração Nacional no primeiro mandato de Lula, Ciro integrou o Conselho da Acesita e, mais tarde, o de Itaipu. “Ganhava o mesmo salário que tinha como ministro para participar de uma reunião por mês da estatal”, diz. “Se não fosse isso, não poderia ser ministro.”“Há lógica quando o ministro ocupa o conselho de uma estatal ligada a seu ministério. Mas não quando ele está em um conselho qualquer, só para elevar seus proventos”, discorda o deputado Mendes Thame (PSDB-SP). “Essa distorção custa caro, pois o ministro ocupa o cargo de alguém com mais familiaridade com o assunto.”