quinta-feira, 19 de abril de 2007

Do baú de maldades

Na campanha ao governo do ano passado, estive em 19 municípios do interior do Acre e vi redundantes exemplos de desperdício do dinheiro público. Mas não conhecia o aeroporto de Xapuri, mais uma aberração política do ex-governador Jorge Viana. Desnecessário dizer que a prática perdulária de se fazer obras caras e inúteis torna-se criminosa em um estado com tantas mazelas sociais.

Na semana que vem solicitarei informações sobre os valores gastos em mais esse monumento ao desperdício, mas estou certo de que os companheiros não me atenderão. É que eles continuam a se achar donos dos impostos que a patuléia paga a duras penas.



quarta-feira, 18 de abril de 2007

Deu no Estadão

Primeira ação do mensalão envolve Genoino e mais dez

A ação estava na Justiça Federal de Minas Gerais até o final do ano passado, mas com a eleição do petista para a Câmara foi encaminhada ao STF

SÃO PAULO - O Supremo Tribunal Federal (STF) abrirá a primeira ação penal com os envolvidos no esquema do mensalão. Há 11 réus no processo, entre eles o deputado federal José Genoino (PT-SP), o publicitário Marcos Valério e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares.

A ação estava na Justiça Federal de Minas Gerais até o final do ano passado, mas com a eleição de Genoino para a Câmara - que agora tem foro privilegiado - o processo foi transferido para o STF, segundo informações do site do Supremo.

A investigação realizada em Minas Gerais foi um desdobramento das apurações sobre o mensalão. Na denúncia apreciada pela Justiça Federal em Minas, o Ministério Público acusou os investigados de vários crimes, dentre os quais, gestão fraudulenta e falsidade ideológica.

"A liberação de recursos milionários pelo BMG ao PT e às empresas ligadas a Marcos Valério deu-se de maneira irregular, seja porque a situação econômico-financeira dos tomadores era incompatível com o valor, seja porque as garantias dadas eram insuficientes", sustentou o Ministério Público na denúncia.

O relator do caso no STF, ministro Joaquim Barbosa, informou nesta quarta-feira, 18, que já determinou a abertura da ação penal. "É importante ressaltar que a denúncia já foi recebida. Com isso, já temos uma ação penal em andamento", afirmou. Há ainda dois inquéritos em andamento no STF sobre o caso.

Genoino
Genoino disse que, juntamente com outros parlamentares citados no processo, pediu ao STF que fizesse a transferência da ação aberta contra ele pela Justiça de Minas. "O processo na Justiça mineira trata de dois empréstimos legais feitos pelo PT no Banco Rural e no BMG, um de R$ 3 milhões e outro de R$ 2,4 milhões. Estes empréstimos foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em fevereiro e março de 2003", disse Genoino.

"O dinheiro foi usado para despesas do partido; nenhum centavo foi desviado para campanhas eleitorais". Genoino disse que a transferência da ação para o STF vai facilitar a sua defesa no processo em que é acusado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, de ter participado dos escândalos do mensalão.

Ainda no STF, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, entrou com uma denúncia envolvendo 40 pessoas no esquema do mensalão, mas até agora - passado um ano - não havia processo nem réus no Supremo. Souza concluiu que o "chefe" do que classificou como "quadrilha" era o ex-ministro José Dirceu, além de Genoino, Delúbio e Silvio Pereira, outro dirigente petista.

Entenda o caso
O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento.

Segundo ele, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.

Comentário do blog: E ainda aparecem uns desmiolados para alegar que a "Zelite" deste país inventou o maior escândalo da história da República.

Rir, o melhor remédio

Como o clima aqui ficou meio pesado ultimamente, recomendo uma visita ao blog do chargista Francisco Braga (esse sim, genial) agora radicado no Rio de Janeiro. O endereço é www.cartunistabraga.blogspot.com.

Rir ainda é o melhor remédio contra o mau humor.

A ignorância, essa madrasta

Bastaria o lazarento Bandido da Luz Vermelha erguer-se da tumba para declarar solidariedade ao ex-governador Jorge Viana para que de monstro fosse transformado em santo. O empenho em lhe preservar o patrimônio político acarreta gafes que só a pressa e a madrasta ignorância podem justificar. Dar destaque, por exemplo, a elogios recebidos por Viana do senador Gilvam Borges (PMDB-AP) é demonstrar afobação desnecessária - e completo desconhecimento da política regional.

Gilvam é uma velha raposa conhecida dos amapenses, irmão do ex-deputado federal Giovanni Pinheiro Borges, dono de emissoras de rádio e TV, além de fazendas na região. Está ligado a José Sarney e foi coordenador de campanha à reeleição do atual governador Waldez Góes, do PDT, cujo governo submerge em diversas denúncias de corrupção investigadas pela Polícia Federal. Gilvam foi do PRN de Collor de Melo, mas achou maior proveito aproximando-se do ex-presidente Sarney, de quem Lula se orgulha de ser aliado.

É esse o senador que se derrama em elogios a Jorge Viana.

Magoado

Archibaldo Antunes

O senhor Raimari Cardoso, magoado com as correções que lhe fiz num texto, deixou neste blog comentários nada lisonjeiros à "minha pessoa", para usar expressão que o dito cujo adora. Eles não me ofendem, antes me divertem por conter pérolas só possíveis de achar nas profundezas de sua cabecinha oca. Por princípio democrático, suas palavras serão mantidas, sobretudo porque entendo que o radialista tem o direito de se manifestar, ainda que de forma virulenta, rancorosa e desinformada.

A uma incorreção em particular, esta publicada no seu blog, me dou, porém, ao trabalho de responder. Ao dizer que perdi a "boquinha" no governo da floresta, e que por isso vivo de falar mal do PT, o radialista comete outro de seus muitos deslizes (alguns, inclusive, éticos, já que oriundos de sua malandragem intelectual). Esclareço que em 2003, cansado do desrespeito, da inoperância e de remuneração indigna de um profissional que se preza, apresentei pedido de demissão devidamente protocolado no gabinete do então secretário de Comunicação, Aníbal Diniz. Meu gesto teve caráter preventivo, uma vez que chegaria o dia em que um petista arreliado me apontaria o dedo para dizer que eu fora enxotado de lá. Como o sr. Raimari não costuma se dar ao trabalho de checar a veracidade de suas calúnias, estou certo de que sequer perguntará se o meu pedido de demissão existe. Bastaria dar um telefonema, e se o seu interlocutor no governo tiver o mínimo de decência, confirmará o que aqui está dito.

Apesar de minha atitude de manter neste blog os comentários do radialista magoado, ele não age da mesma forma em relação a mim, o que é sintomático pela longa convivência com a prática companheira de negar a outrem o direito ao contraditório. A noção de democracia de gente como o radialista há muito que se dissoveu na filosofia utilitária que tem origem no apego patológico ao poder.

Sobre sua conclusão de que me ocupo dele mais do que ele de mim, quero explicar que ele está rigorosamente certo. Para mim, o senhor Raimari tem significado lúdico, já que me divirto com seus textos e sua forma de pensar. Investigar-lhe os artigos e matérias em busca de erros e incoerências se tornou meu passatempo predileto.

Meu único receio é que esse novo hobby acabe por me prejudicar os miolos.

Prefeitura faz planejamento pedagógico para melhorar educação rural


“Na zona rural aluno não faz corpo mole. Todas as crianças freqüentam a escola”. A frase do professor Raimundo Carlos de Oliveira Cunha, 33 anos, impressiona por contrariar os índices de evasão escolar do país. Segundo dados da Fundação Lemann, especializada em gestão escolar, no Brasil 31 jovens abandonam a sala de aula por hora. A média é a maior da América Latina.

Com 12 anos de profissão, Carlos é um dos 25 professores que participam de planejamento pedagógico realizado pela prefeitura de Xapuri, via Secretaria Municipal de Educação (Semed). Se evasão não é problema grave na zona rural, os contratempos se acumulam sob outras formas.

O Encontro de educadores começou na segunda-feira, na Casa Branca, antiga Intendência Boliviana na cidade, e se estenderá até sexta, dia 20.

Carlos leciona para 18 alunos do ensino básico de uma escola localizada no seringal Lua Cheia. Ali as crianças levam até duas horas para assistir às aulas. Ele acredita que o planejamento vai facilitar as atividades pedagógicas, já que os professores poderão aprender novas técnicas educacionais. “Planejar aprimora os conhecimentos”, acredita.

A professora Milene Pereira, 23, concorda com o entusiasmo do colega. Ela trabalha com 14 crianças no seringal São Miguel, a três horas da cidade. Alguns alunos de Milene vão para a escola a cavalo, outras a pé. Nesse caso, o percurso pode levar até duas horas.

“Esse planejamento vai melhorar a base de conhecimento dos professores, e isso se refletirá no nosso desempenho em sala de aula”, entusiasma-se.

Acesso é sempre problema
O acesso dos professores aos locais de trabalho é um dos muitos problemas enfrentados por quem sai da cidade para lecionar na zona rural. Apenas 30% deles vivem nas comunidades onde lecionam, segundo a coordenadora administrativa do ensino rural da Semed, Josilene da Silva Gondim.

Ainda que falte transporte para a equipe que atua nos seringais e projetos de assentamento, o trabalho não deixa de ser feito, garante Josilene. Ela conta com uma equipe reduzida cuja tarefa é dar suporte aos professores. Gilda Maria Pinto de Assis integra o trio de supervisoras que chegam a passar até 48 horas dentro de um barco.

“É trabalho difícil e exige força de vontade”, explicou Fabiana Pinheiro do Nascimento, integrante da equipe.

Vanilda Pereira Luz, outra supervisora do ensino rural, conta que no verão, com a seca do rio, o acesso às escolas é ainda mais difícil. Em alguns pontos é preciso arrastar a canoa. “Em outros somos obrigadas a caminhar até dez horas dentro da mata”, garantiu.

Nessas circunstâncias, entregar material e merenda escolar se transforma num problema logístico. Cabe aos professores a tarefa de ir à cidade para abastecer as despensas ou apanhar livros. Em alguns casos, a alimentação dos alunos não tem sido suficiente para um mês, o período estabelecido pela Semed para o fornecimento dos estoques.

“Com o planejamento, vamos corrigir isso e ainda melhorar a qualidade da merenda destinada à zona rural”, prometeu a diretora do ensino básico de Xapuri, Valcidene Soares Menezes. Segundo ela, a Semed vai incentivar a plantação de hortas nas escolas para complementação do cardápio estudantil.

Valcidene explica que o planejamento pedagógico resultou da análise dos relatórios fornecidos pelos professores, que trabalhavam desarticulados e sem metas bem delineadas. O objetivo agora é direcionar as ações para um ensino de maior qualidade, disse ela.

O secretário de Educação, Everaldo Pereira, afirmou que a merenda escolar tem recebido toda a atenção da Semed. O tema integra a lista de assuntos a serem tratados no encontro.

No primeiro dia de planejamento, o prefeito do município, Vanderley Viana de Lima (PMDB), visitou os professores na Casa Branca. Ele disse estar animado com a iniciativa. “Sei como a educação é importante porque só pude estudar graças à interferência de minha avó”, contou o prefeito. A mãe, segundo ele, era dependente de álcool e preferia que o filho trabalhasse para cuidar dos irmãos.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Aonde isso vai dar?

“É só abrir mão da prepotência e dá voz para que o povo diga aonde está doendo”.

A pérola acima foi publicada no blog do radialista Raimari Cardoso, em artigo intitulado “Os servidores querem aumento”. Em uma única frase, o blogueiro conseguiu cometer dois erros de português. O primeiro deles está no uso do verbo “dar”, que deveria ter sido grafado assim, no infinitivo, e não no presente do indicativo, como o fez Raimari.

O segundo tropeço gramatical ficou por conta do “aonde” em uma frase que exige “onde”. É que aonde, como ensinam os gramáticos, é combinação da preposição a + onde, indicando movimento para algum lugar. Exemplos: “Aonde vai com tanta pressa o deputado que recebeu mensalão?”; ou, “Aonde quer chegar um jornalista que não se preocupa com a norma culta?”.

Ao contrário, o onde significa “lugar em que/em que (lugar)”. Indica o lugar em que se passa um fato ou está alguma coisa. Exemplos: “Onde está a decência de petistas que pregavam a moralidade e agora vivem de assaltar o erário?”; ou, “Onde fica a moral de quem senta sobre o próprio rabo para criticar o rabo alheio?”.

Não fosse a obsessão diuturna em falar mal do prefeito Vanderley Viana, o Sr. Raimari teria tempo de sobra para afiar suas ferramentas de trabalho.

Herança maldita

O prefeito de Xapuri, Vanderley Viana de Lima, após dois anos e quase quatro meses de governo, ainda lamenta o estado em que recebeu o município. Exemplos da má gestão do ex-prefeito Júlio Barbosa, do PT, podem ser vistos por todo lado.

Ontem Vandeley me mostrou alguns veículos deteriorados por quem deveria ter cuidado do patrimônio público, mas não o fez. As fotos dizem mais do que mil palavras.







Donald Fernandes quer acabar com aposentadoria de ex-governadores


Acabar com a pensão para ex-governadores. Essa foi a proposta do líder do PSDB na Assembléia Legislativa, deputado Donald Fernandes, durante a votação da redução salarial em 15% do governador do Estado. Sobre essa iniciativa, o parlamentar afirmou que é “válida, mas estranha”, uma vez que os sindicatos pressionam por reajuste salarial e o governo estaria tentando constrangê-los.

Se aprovada, a proposta de emenda à Constituição Estadual feita pelo deputado Donald revogaria o artigo 77, que trata do subsídio mensal e vitalício correspondente ao vencimento e representação do cargo de governador.

“Se é para economizar, como disse Binho, vamos cortar aposentadoria de quem contribui no máximo quatro anos e se aposenta, ao contrário dos trabalhadores brasileiros que precisam de 35 anos de contribuição para ter esse direito”, disse.

Ainda que aprovada, a emenda não atingiria os ex-governadores, porque a lei não retroage em prejuízo de ninguém. A regra passaria a vigorar para o governador Binho Marques e os sucessores.

Apoios
A deputada Naluh Gouveia (PT) declarou apoio à proposta de Donald Fernandes. Ela chamou de “grande questão a ser debatida pela população acreana”, e sugeriu que se faça um plebiscito estadual para saber a opinião de quem paga os salários dos ex-governadores.

Outro deputado que declarou apoio à iniciativa foi Delorgem Campos (PSB).

Donald precisa de sete assinaturas dos deputados estaduais (um terço do total de 24) para que a mesa diretora receba a proposta de emenda e a coloque em votação.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Prefeitura planeja educação rural

Enquanto escrevo, 23 professores da zona rural participam de planejamento promovido pela prefeitura do município, via Secretaria de Educação. Há pouco o secretário de Educação de Xapuri, Everaldo Pereira, encerrou a palestra “O planejamento em educação: revisando conceitos para mudar concepção e prática”.

Os bravos professores permanecem até sexta-feira nas atividades do encontro pedagógico.

Nas próximas horas daremos mais detalhes sobre o evento e mostraremos as imagens do primeiro dia de reunião.

domingo, 15 de abril de 2007

Dois desinformados

Archibaldo Antunes

É preciso desfazer algumas imprecisões registradas pelo senhor Raimari Cardoso em seu blog. A insistência em dar ouvidos a desqualificados como o Sr. Sérgio Roberto, que nada sabe de saúde pública mas recebe da população um gordo salário para cuidar dela, acaba por confundir os leitores quando a função do jornalista é informar. Como estão ambos desinformados sobre a atuação dos CRMs, quero colaborar para que Sérgio Roberto não continue a dizer as tolices que o sr. Raimari, pela natureza de sua função, se apressa em tornar públicas.

A matéria que pode ser lida aqui fala sobre a interdição pelo CRM do Hospital de Emergências de Macapá, onde morei por mais de 20 anos. Caso ela não seja suficiente, o Google pode oferecer outros exemplos.

Quero ainda lembrar que o sr. Raimari, em seus últimos textos, se refere a mim como assessor de comunicação da prefeitura e ao Dr. Miguel Ortiz pela “ambivalência” de sua atuação como procurador do município e assessor jurídico do CRM, como se esses fatos o desabonassem para lidar com as denúncias envolvendo o hospital e me colocassem sob suspeição para escrever sobre elas. O desenrolar dos acontecimentos, porém, provou o que a população já estava cansada de saber: o Epaminondas Jácome tem problemas graves que independem da dualidade de cargos exercidos pelo Dr. Ortiz e da minha “linhagem” profissional. Chega a ser acintoso tratar o assunto dando-lhe tal conotação, mas a índole de cada um determina o teor dos argumentos que usa.

Inicialmente, Raimari optou por reproduzir afirmações da antiga gestora, Alcelina Oliveira, de que a unidade de saúde não tem problemas. Depois, foi obrigado desdizê-la em nome do subsecretário Sérgio Roberto, que fez o que o repórter deveria ter feito: foi ao local e conferiu pessoalmente suas precárias condições.

É fato que o hospital Epaminondas Jácome apresenta problemas há muito tempo, mas que apenas depois do imbróglio que envolveu a antiga gestora em depoimento aos vereadores, o sr. Raimari Cardoso passou a ocupar-se do tema. Antes disso, pela ligação que o radialista tem com o governo do Estado, os únicos contratempos apontados por ele eram os da saúde municipal. Sobre a real situação do Epaminondas Jácome, nenhuma palavra.

Causa-me estranheza que alguém ciente de suas responsabilidades de comunicador tenha se omitido em caso grave, sobretudo quando está cercado de pessoas amigas e talvez até de parentes obrigados a submeter-se a tão precário atendimento hospitalar.

Mas é direito do Sr. Raimari calar sobre determinados assuntos, principalmente quando a mínima referência lhe pode significar a exoneração do cargo de coordenador da Rádio Educadora 6 de Agosto. Se a prudência o impede de dar publicidade a temas indigestos para os políticos que defende, é compreensível o silêncio em torno do hospital de Xapuri.

Impróprio é querer desqualificar o que escrevo a partir de tolas insinuações sobre meus vínculos profissionais.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Ponto para o CRM

A notícia veiculada no blog Xapuri Agora de que o subsecretário de Saúde do Estado, Sérgio Roberto, está em Xapuri e deve anunciar a nova direção do hospital Epaminondas Jácome deve encher de esperanças a população do município. A sessão na Câmara de Vereadores, terça-feira, em que a gestora do hospital, Alcelina Oliveira, foi ouvida pelos parlamentares e confirmou a situação precária em que se encontra aquela unidade de saúde serviu de estopim da crise. E pode ser o fim de um longo e tenebroso período de convalescença da saúde estadual em Xapuri.

Necessário dizer que o CRM (Conselho Regional de Medicina do Acre) teve papel fundamental no episódio. É do órgão o parecer que condena os serviços do Epaminondas Jácome, e de sua iniciativa a interlocução com as autoridades estaduais para que os problemas fossem resolvidos.

Este blog destaca ainda o empenho do assessor jurídico do CRM-AC, Dr. Miguel Ortiz, que mesmo tendo definição política contrária ao governo do Estado, não fez pirotecnia dos fatos e agiu da forma mais decente possível, em nome dos interesses daqueles que pagam seus impostos e merecem atenção do poder público.

Índios fecham estrada que dá acesso à aldeia de Tarauacá

Juracy Xangai, no www.jurua24horas.com

Os índios kaxinawá da Colônia 27, em Tarauacá, bloquearam a estrada que dá acesso à aldeia e dali para mais de 80 colônias e fazendas do município.
O bloqueio é um protesto dos índios pelo não cumprimento das professas feitas quando da audiência pública para a aprovação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), em 2002, quando permitiu a continuação das obras de asfaltamento da BR-364 de Tarauacá para Cruzeiro do Sul.

“A promessa feita para nossa comunidade indígena era a de que se a gente concordasse com o asfaltamento da BR os oito quilômetros do nosso ramal seriam calçados com tijolo ou asfaltado até o final de 2004, mas nada foi cumprido. Hoje a buraqueira e o lamaçal é tão grande que nossos filhos são obrigados a ir e voltar a pé os oito quilômetros para poder estudar na cidade porque condução nenhuma pode entrar lá”, protestou Manoel Kaxinawá que é presidente da Organização dos Povos Indígenas do Acre, sul do Amazonas e noroeste de Rondônia (Opin), além de ser nascido na aldeia da Colônia 27 onde vivem seus familiares.

Com o bloqueio do ramal Epitácio Pessoa pelos mais de 170 índios, mais de 80 colonos e fazendeiros que abastecem Feijó com alimentos, estão sem ter outro caminho para escoar sua produção. Por isso, Manoel teme que se o problema do ramal não tiver uma solução rápida, isto poderá causar conflitos desnecessários entre índios e não índios, até porque o asfaltamento da estrada irá beneficiar as duas comunidades.

“Para que pudessem dar continuidade às obras de asfaltamento da BR-364 eles prometeram pra gente que iriam asfaltar a estrada e levar outro benefícios para a aldeia. Nos ajudaram a melhorar a produção de peixes nos oito açudes, mecanizaram as terras pros roçados e, por conta disso, hoje temos fartura de comida em nossa comunidade, mas as péssimas condições de nossa estrada é um problema muito sério”, declarou Manoel.

Segundo ele, o bloqueio do ramal está acontecendo agora durante o inverno porque estão exigindo que os acordos firmados na Audiência Pública e que foram avalizadas pelo governo do Estado, Ministério Público Federal, Funai, Funtac, Ibama, Imac, Incra e outras instituições, precisar ser cumprido neste verão que está começando agora.

“Chega de promessas não cumpridas. Na época prometeram atijolar todo o ramal e construir ao lado dele um corredor para passar o gado e outros animais sem estragar a estrada. Agora nós queremos que a estrada seja asfaltada para que nossos filhos tenham mais facilidade para ir à escola. O asfalto dá mais segurança pra gente da nossa comunidade”, concluiu Manoel.

Nota deste blog: Os fatos relatados acima provam mais uma vez que índio no Acre é tratado para a publicidade do governo lá fora. Não é a primeira vez que uma etnia reclama de promessas não cumpridas e descaso das autoridades, as quais têm há décadas lucrado econômica e politicamente para o grupo que comanda o Estado. Só falta agora virem dizer que a culpa é do extinto MDA

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Resposta nada indignada à gestora do hospital de Xapuri

Archibaldo Antunes

A “indignada” diretora do hospital Epaminondas Jácome, Alcelina da Silva Oliveira, ameaça-me com o rigor da lei caso não me “retrate” por matéria veiculada neste blog e nos jornais O Rio Branco e A Gazeta, além do site ac24horas.com, de título “CRM ameaça interditar hospital de Xapuri”. A valente gestora nega as informações publicadas, atribuindo-as ao Dr. Miguel Ortiz, assessor jurídico do Conselho Regional de Medicina e procurador do município. E acusa-me de “colocar palavras em sua boca” por estar a serviço do prefeito Vanderley Viana de Lima. A retratação já tomou corpo, com o dublê de jornalista Raimari Cardoso encarregado de fazer a justa confrontação das notícias, que do lado de lá conta com um arsenal de jornais e emissoras de rádio e TV pagos com dinheiro público.

Dona Alcelina, que me pareceu uma pessoa sensata e dedicada aos pacientes do hospital mais do que às rusgas políticas paroquianas, afirmou que exigirá as fitas da audiência de terça-feira na Câmara de Vereadores para cotejar as próprias palavras com as publicadas por mim. Poderia poupar-se de semelhante aborrecimento se lesse com maior atenção a matéria que escrevi.

É do ensaísta de Veja Cláudio de Moura Castro a máxima de que no Brasil os leitores, em sua maioria, entendem não o que está escrito, mas aquilo que julgam que o autor quis dizer. Para começar, há uma diferença entre afirmar e admitir, sobretudo quando determinadas verdades, ainda que dolorosas para todos, precisam da afirmação alheia e não a nossa, se sua simples admissão pode resultar em represálias. Como vivemos a política da retaliação petista, entendo que dona Alcelina queira desqualificar a mim e ao Dr. Miguel Ortiz, cujas intervenções na sessão de terça foram as mais lúcidas possíveis, em vez de sustentar verdades simples que todos vêem: por exemplo a de que o hospital Epaminondas Jácome, que ela dirige, possui falhas no atendimento e encontra-se em condições precárias. Nisso não precisa esquivar-se, uma vez que existe um laudo do CRM-AC que o comprova, e que por isso a isenta de responsabilidades pela informação.

Segundo o Sr. Raimari, dona Alcelina afirma “que em nenhum momento confirmou nenhum fato descrito na matéria e que sequer foi entrevistada pelo repórter”. A matéria foi baseada nas informações que integram o laudo do CRM e no próprio depoimento da gestora do hospital aos vereadores. Como a sessão foi pública e as informações esclarecedores, não reproduzi conversa de pé-de-ouvido nem achei necessário colher mais depoimentos da digníssima senhora. Cabe a ela escolher como melhor conduzir as ações do hospital, como a mim o direito de decidir se uma entrevista é necessária após elucidativas declarações públicas. Não a entrevistei e não me arrependo, visto que ela optou por negar depois o que havia dito antes.

Ao blogueiro Raimari, dona Alcelina supostamente disse que as “afirmações de que o hospital não teria condições de funcionamento e de que uma paciente morreu no ano passado por falta de uma ambulância foram feitas pelo procurador jurídico do prefeito, o doutor Miguel Ortiz.”, o que é rigorosamente verdade. Tanto que na matéria escrevi que “Há apenas uma ambulância para transporte de pacientes. Alcelina também confirmou que uma paciente morreu por não haver um segundo veículo para transportá-la a Rio Branco”. Ora, primeiro não atribuí a ela a afirmação, mas a “confirmação” do fato, ainda que ela o tenha feito de modo enviesado, já que explicou que a ambulância, no momento da morte da jovem, transportava outro paciente para Rio Branco. A questão a discutir, a partir desse ponto, é se a morte teria sido evitada se houvesse outro veículo, cuja importância foi prontamente reconhecida por dona Alcelina para outras atividades do hospital, inclusive transporte de enfermos.

Mais adiante a gestora afirma, segundo o blogueiro, reconhecer “que o hospital enfrenta algumas dificuldades por causa da reforma do prédio, mas o atendimento está acontecendo dentro da normalidade”. A denúncia do CRM, porém, de que se está usando cânulas para crianças em adultos submetidos a cirurgias sequer foi contestada, bem como a informação de que o aparelho de raio-x está quebrado há mais de 30 dias. Se isso for um atendimento “dentro da normalidade”, nem imagino o que será um hospital com problemas.

Dona Alcelina tem o direito de não gostar de uma matéria, assim como os moradores de Xapuri o de denunciar as péssimas condições em que se encontra o hospital administrado pelo governo. Tanto que o fizeram reiteradas vezes, daí a audiência onde ela confirmou o que agora está negando.

Quanto à surpresa do subsecretário de Saúde, Sérgio Roberto, com a ameaça do CRM em interditar o hospital, não é de admirar semelhante reação em quem ignora os assuntos mais elementares do ramo. Não fosse a prática petista de enfiar os companheiros pela janela da administração pública, o Sr. Sérgio Roberto estaria desincumbido para seguir seus esforços na Educação, quem sabe para ajudar a livrar o Acre da desonrosa colocação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Com mais de 12 anos de competente atuação no CRM-AC, o Dr. Miguel Ortiz confirma a declaração de que o órgão tem poderes sim para interditar hospitais, e que isso acorreu em estados como Rondônia, Pernambuco e Bahia. Ele explica que a intervenção é um procedimento administrativo que inicia com a fiscalização da unidade. Uma vez comprovados os problemas, o órgão notifica o gestor, como foi feito, e exige providências. Se estas não forem tomadas, o Conselho pode optar pela interdição.

A matéria escrita por mim causou algum alvoroço em Rio Branco, inclusive com repercussão de uma emissora de TV local, que foi ouvir do Dr. Ortiz o que ele havia dito na sessão de terça-feira. Quero crer que as autoridades do governo na área de saúde, importunadas pelas notícias que passaram a circular, vejam-se obrigadas ao esforço de minimizar o sofrimento dos moradores de Xapuri. Isso é jornalismo, ao contrário dessas louvaminhas de quem só escreve para adular os poderosos.

Corrigenda

Na pressa em defender o ex-governador Jorge Viana dos "ataques" da revista Veja, o radialista e blogueiro Raimari Cardoso (www.raimari.blogspot.com) esqueceu ontem de antepor o "h" à palavra houve. Como não se trata do verbo ouvir, mas do verbo haver no pretérito perfeito do indicativo, o vocábulo foi erroneamente grafado. Veja:

"Se realmente ouve engavetamento da informação pelo governo passado, que o erro não se repita. Está bastante claro que transparência gera confiança, credibilidade."

Essa, porém, não foi a primeira vez que o escriba escorregou no uso do verbo. Em outro texto seu, Raimari usou a forma transitiva direta, no sentido de ter transcorrido tempo, também sem o "h".