domingo, 6 de maio de 2007

O capitalismo em falta

Fernando Rodrigues, do uol

BRASÍLIA - Quem já vendeu um carro conhece a lógica do sistema capitalista. O dono sempre acha que o seu produto vale mais do que os compradores aceitam pagar. Entra-se então numa discussão bizantina sobre algo inexistente: qual deveria ser o "preço justo".

Num sistema liberal, onde estão em vigor as regras do mercado, não existe "preço justo". O que há é disponibilidade para pagar ou não.
Os ternos bem cortados de Lula possivelmente não seriam comprados pelos amigos metalúrgicos do petista no ABC. Uma peça de vestuário como as que veste o presidente fica na faixa dos R$ 4 mil a R$ 5 mil na rua Oscar Freire, em São Paulo. Muita gente considerará esse preço injusto. O Planalto deve pagar pelos costumes lulistas com o cartão de crédito corporativo da Presidência. Ninguém por lá ousa pensar em injustiça. Assim funciona o capitalismo.

Não sei se Lula já vendeu algum automóvel, mas ontem o presidente usou a expressão "preço justo". Foi num discurso palanqueiro sobre a imposição da licença compulsória ao remédio Efavirenz, utilizado por pacientes portadores do vírus da Aids. Eis a frase do petista:

"Hoje é o Efavirenz, mas amanhã pode ser qualquer outro comprimido, ou seja, se não estiver com os preços que são justos (...) nós temos que tomar essa decisão. Entre o nosso comércio e a nossa saúde, vamos cuidar da nossa saúde".

Lula foi aplaudido. Nada contra sua preocupação com a saúde. O ponto é outro. Se é mesmo verdade que o governo do Brasil esgotou todas as negociações com o laboratório dentro das regras, a quebra de patente não é motivo de comemoração -mas de lamento pelo fracasso dos limites estabelecidos. O presidente parecia ontem tomado de júbilo por intervir numa decisão de uma empresa privada. Um ato falho, talvez. Ficou alegre pela falta de capitalismo no país.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

O PT não vai de ônibus

Archibaldo Antunes

O prefeito Raimundo Angelim cultiva amigos no comércio. Um deles, o dono da Real Norte, acha que esse tipo de amizade deve render ônus à patuléia. Generoso, Éder Pinheiro doou quase 100 mil reais em camisetas à campanha do então candidato petista, segundo notas fiscais enviadas à Justiça Eleitoral. Compradas da empresa Coteminas, do vice-presidente José Alencar, as camisetas vieram de boing. O povo, porém, só vai de ônibus.

Todos sabem que a amizade em torno do poder não é gratuita. Ambos – prefeito e empresário – têm consciência de que favores se pagam. Fiel aos financiadores de campanha, Angelim tratou de avalizar o aumento da tarifa de ônibus, que tunga mais uma vez o bolso do pobre. Também mostrou toda sua gratidão quando no início do mandato resolveu alugar, do amigo José Bestene, o prédio onde funciona a prefeitura.

A atitude do prefeito, camuflada sob as espertezas de quem faz cara de bonzinho ao cometer muitas maldades, revela um PT que se acostumou a tirar dos pobres para dar aos ricos. Uma espécie de Hobin Wood às avessas.

Feito o estrago, percutido nas ruas no apitaço dos estudantes descontentes, escalaram o assessor político da prefeitura de Rio Branco, Francisco Nepomuceno, para falar do aumento. “Carioca”, como é mais conhecido, repisou a lengalenga de que a culpa é da oposição. Atribuiu a Marcio Bittar o alvoroço que pôs em movimento o protesto legítimo. E minimizou o aumento como se o trabalhador brasileiro fosse obrigado a pagar as contas do PT.

Como ganha bem e não anda de ônibus, Carioca ironizou a tunga de R$ 3,90 que os empresários querem aplicar aos estudantes. Ridicularizou também os R$ 7,80 que os trabalhadores terão de desembolsar caso o aumento vigore. Não fez, porém, projeções realistas, já que numa única família pode haver até cinco pessoas que dependem dos coletivos.

Na lógica circense do professor Nepomuceno, Angelim é um herói por ter cortado o aumento pela metade. Era tal o entusiasmo na defesa do prefeito que um desavisado teria pensado se tratar de um desconto na tarifa.

Atribuir a Marcio Bittar a reação dos que se mostram indignados ante o aumento é mais uma sutileza petista. Mas como esperteza demais resulta em desdém à inteligência alheia, Carioca cometeu uma deselegância ao subestimar a compreensão dos que nada tem a ver com as querelas políticas. É no mínimo arrogante achar que a patuléia não distingue quem lhe enfia a mão no bolso, seja qual for o nome que queiram dar à tungada.

Creio, inclusive, que a oposição teria de ter capitalizado sim a refrega, como fez a petelhada a vida toda. PPS, PDT, PSOL, PFL, PMDB e PSDB deveriam ter politizado o movimento, exigindo também que os usuários do transporte coletivo não fossem penalizados pela simbiose entre a Real Norte e a Frente Popular do Acre.

Pois não se trata apenas de se aproveitar do desgaste político de quem tira do trabalhador para dar ao patrão, mas de mostrar que a ética petista, propalada aos quatro cantos deste país, mais uma vez está sendo jogada na lata do lixo da História.

Comentário: o artigo é de fevereiro de 2006, quando a passagem de ônibus passou de R$ 1,50 para R$ 1,75. Mas o tema continua atual, conforme explicado no post aí embaixo.

Prefeito amigo da onça

Eleito para representar a população da capital do Acre, o prefeito Raimundo Angelim (PT) resolveu defender os interesses dos proprietários das empresas de transporte coletivo. Em entrevista ao jornal A Tribuna, edição desta sexta-feira, Angelim afirmou que empresário não vive de "filantropia", e que o aumento de tarifa "é uma questão de tempo". Hoje a tarifa de ônibus em Rio Branco é de R$ 1,75.

Mesmo não sendo filantropos com a população, como afirmou o prefeito petista, os empresários são caridosos quando lhes convém. O dono da real Norte, por exemplo, declarou à Justiça Eleitoral doação em 2004 de quase R$ 100 mil em camisetas à campanha de Angelim (conforme explicado no artigo aí de cima).

“Tenho que ver a situação dos usuários, a questão social, mas sem esquecer da viabilidade econômica das empresas. Os empresários não vivem de filantropia”, disse o prefeito ao repórter Jairo Barbosa.

A pérola da matéria fica por conta do seguinte raciocínio do prefeito de Rio Branco: se houver um esforço conjunto do governo federal, estados e municípios, o preço das passagens em todo o país pode ser reduzido, bastando que os governos diminuam a carga tributária que recai sobre as empresas. “Sou a favor no caso de uma decisão conjunta. O IPI e os encargos sobre as montadoras de ônibus e, principalmente, do combustível sendo reduzidos permitirá que as empresas diminuam o preço das passagens, porque terão logicamente menores despesas também”, analisou o Angelim.

Ora, o prefeito vai permitir a majoração da tarifa sob argumento de que seus amigos poderosos do andar de cima não fazem "filantropia", mas candidamente sugere que a maldade seja revertida com esforço conjunto do governo federal, estados e municípios. Trata-se de cometer um ato ruim com as próprias mãos e esperar que ele seja reparado pelas mãos alheias, cada vez mais ávidas pelos impostos. Alguém precisa avisar ao prefeito amigo da onça que o governo Lula manteve a cobrança da CPMF, o que mostra que nessipaiz ninguém quer abrir mão do dinheiro do zé povinho.

Partidos comportados ganharão cargo no governo

Os primeiros movimentos do PMDB e do PT em torno da CPI do caos aéreo, instalada nesta quinta-feira (3), já começam a render dividendos aos dois partidos, os maiores do consórcio governista. Em troca da fidelidade, o Planalto acena com a promessa de acelerar as nomeações dos cargos pleiteados pelas duas legendas no segundo escalão do governo.

Em privado, um auxiliar de Lula informou a dirigentes do PMDB que o governo recebeu com alívio a indicação de Marcelo Castro (PMDB-PI) para a presidência da CPI. Em contrapartida, Lula comprometeu-se a prover os principais cargos pleiteados pelo partido.

Leia mais no blog do jornalista Josias de Souza.

Comentário deste blog: O PT que sempre esperneou na oposição contra a corrupção e o fisiologismo dá agora lições de competência em esconder a sujeira embaixo do tapete da Nação.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Mangabeira Unger, o vira-casaca

Da revista Isto É:

"Mas não é apenas o novo ministro que causa perplexidade. Mangabeira Unger irá ocupar o Ministério de Ações de Longo Prazo. Difícil explicar o que fará essa pasta em um governo que já dispõe de um Ministério do Planejamento, por exemplo. Oficialmente, o presidente apenas esclarece que o novo ministro irá cuidar de projetos estratégicos para o País. O que isso significa? Que os demais projetos capitaneados pelos outros 35 ministérios não são estratégicos? Enquanto essas respostas não vêm, o fato é que em Brasília o papel de Mangabeira no governo é visto como chacota. Já dizem até que ele é o ministro do futuro. E que só o que faltava em um governo já normalmente lento era um ministério de ações de longo prazo.

Se o presidente não consegue fazer os brasileiros entenderem para que serve o novo ministério, o futuro ministro também se esquiva da resposta. Apesar de já ter aceito a nova missão, Mangabeira ainda está nos Estados Unidos, onde é professor titular de direito em Harvard desde 1976. Ele só pretende retornar ao Brasil no próximo dia 4, quando irá tomar posse. Na última semana, ISTOÉ conseguiu fazer contato com Mangabeira. “Tomei uma decisão de conversar com a imprensa amplamente quando regressar ao Brasil. Eu não me sinto bem, prefiro não conversar enquanto estiver fora do Brasil”, afirmou. Diante da insistência da reportagem em ouvir uma explicação sobre o ministério, Mangabeira respondeu: “Eu tenho que ser rigoroso na universalidade da mesma regra.” Espera-se que, no governo, o novo ministro seja um pouco mais claro. Até que tome posse, o futuro ministro terá tempo para argumentar o que fará efetivamente no governo e também para ajustar o discurso e explicar o que aconteceu para mudar radicalmente sua visão sobre o governo Lula". Leia mais aqui.

Comentário do blog: É direito de Mangabeira Unger mudar de opinião. Já Lula não tem o direito de usar nosso suado dinheirinho pra mudar a opinião alheia.

Bárbaros da pena

Alguns bajuladores perdem as rédeas da adulação quando encontram oportunidade para mostrar serviço. O engenheiro agrônomo Raimundo Cardoso de Freitas não poupa farpas nos olhos alheios quando precisa defender o senador Tião Viana (leia as louvaminhas no blog do apedeuta). Mas até ao puxa-saquismo é preciso impor os limites da coerência, sob pena do bajulador ser alvo de zombaria. Veja o que o gajo escreveu sobre o entediante debate da prospecção de petróleo e gás no Acre:

"É um bom começo para eles [os que se opõem à proposta de prospecção] ocuparem seu tempo pelos próximos meses, em vez de ficarem apregoando hipóteses diabólicas, infames e mentirosas sobre quem, como o senador Tião Viana, passa 24 horas de seu dia pensando e trabalhando em favor de um Acre econômico, social e ambiental sustentável".

Quem agüenta uma coisa dessa?

Disque Pizza

"Presidente da CPI votou em Lula em 2002 e em 2006". Trata-se do título de post do blog do jornalista Josias de Souza sobre a comissão parlamentar do Apagão Aéreo. O deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) vai presidir a CPI.

Comentário deste blog: a patuléia que custeia a corrupção petista na Infraero vai comer mais uma pizza.

Saiu a lista dos sucessores de Valério

Fernando Rodrigues, do uol

A página 25 da seção 3 do “Diário Oficial da União” de hoje (03.mai.2007) trouxe a lista de empresas qualificadas para disputar a conta de publicidade dos Correios: um orçamento de R$ 90 milhões por ano.

Na prática, serão escolhidos os sucessores do publicitário-empresário mais famoso do mundo político no primeiro mandato de Lula, o mineiro Marcos Valério –que esteve no epicentro do escândalo do mensalão.

A seguir, as 29 agências qualificadas para a licitação dos Correios:

1) Escala Comunicação; 2) McCann-Ericksson; 3) PPR – Profissionais de Publicidade Reunidos; 4) Contemporânea; 5) Lew, Lara; 6) Publicis; 7) Casablanca; 8) Giovanni, FCB; 9) 3P Comunicações; 10) Eugênio Publicidade; 11) Artplan; 12) Link/Bagg; 13) Branez; 14) Y&R; 15) Giacometti & Associados; 16) Lowe; 17) Contexto Propaganda; 18) RC Comunicação; 19) 141 Brasil Comunicação; 20) Nova S/B; 21) DPZ Duailibi, Petit, Zaragoza; 22) DCSNet .A.; 23) Competence Comunicação; 24) Debritto Propaganda; 25) Propeg; 26) TOM Comunicação; 27) Agnelo Pacheco; 28) Ágil Publicidade e 29) Ogilvy & Mather.

Os envelopes com as propostas serão abertos no dia 11 de maio.

Enquanto isso, na Petrobras... a conta publicitária da maior estatal do Brasil, de R$ 250 milhões por ano (por baixo), continua embananda. Muita gente reclamando. O TCU fazendo exigências. E, principalmente, Duda Mendonça se esfalfando nos bastidores. Na atual conjuntura, a Petrobras está para Duda como o oxigênio está para o homem.

PAC empacado

Fernando Rodrigues, do uol

Hoje haveria um balanço do PAC. Haveria. Foi adiado para segunda-feira. A desculpa oficial foi a viagem de Guido Mantega ao Equador. Na realidade, faltam informações para a equipe econômica fazer um diagnóstico exato da situação.

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quarta-feira, 2 de maio de 2007

Vanderley quer hidrantes para prevenir incêndio

O prefeito Vanderley Viana de Lima solicitou ao governo do estado a instalação de hidrantes nas ruas 17 de Novembro e 6 de Agosto, conhecidas como Rua do Comércio. Com a medida pretende dotar o local de condições de combate a sinistros capazes de consumir os prédios tombados como Patrimônio Histórico e Cultural do Acre.

"Tal solicitação se torna eminentemente necessária pelos constantes incidentes de incêndios de residências neste município", afirma o prefeito no documento encaminhado ao governador Binho Marques.

A medida é acertada principalmente se lembrarmos o episódio das labaredas que consumiram a sede da prefeitura de Xapuri, na segunda gestão do petista Júlio Barbosa.

O que vi no Acre

Caio Junqueira, no blog do jornalista Altino Machado

Vi no Acre, infelizmente, uma imprensa amarrada e com uma série de aberrações. Dou exemplos. Na terça-feira em que pela primeira vez amanheci em Rio Branco, as manchetes dos jornais locais eram a nota do governador Binho Marques à matéria da revista Veja que apontava um aumento do desmatamento no Estado. Ora, “nota à imprensa” elaborada por um governador não pode, na minha avaliação, ser manchete de jornal nem aqui nem na China. Aliás, na China até pode, porque lá há um regime autoritário instaurado, de fato e de direito. No Acre, como no Brasil, não. Ao menos “de direito”. Outra aberração são matérias semelhantes publicadas nos jornais, feitas provavelmente pelas assessorias de imprensa da classe política dominante em Rio Branco e em Brasília. Para quem é jornalista e ama a profissão, isso é uma prática altamente condenável. Publicar releases de políticos é um desrespeito ao leitor, uma vez que o priva de princípios básicos do jornalismo: a isenção e o senso crítico. Creio que os indicadores sociais do Estado não estariam em um nível tão baixo se a imprensa ficasse mais em cima de seus governantes nos últimos anos. Mas claro que a culpa não é só da imprensa. Políticos acostumados a esse expediente são tão culpados quanto os jornalistas que a aceitam. Mas com certeza para eles o negócio é bom. Não vale esperar deles a iniciativa por uma imprensa livre no Estado. Isso deve vir ou dos leitores ou dos jornais.

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Governo Lula gasta "muito e mal", diz deputado

Brasília - Ao avaliar o baixo crescimento da liberação de recursos para investimentos no primeiro trimestre, o deputado Luiz Carlos Hauly (PR) afirmou que a execução orçamentária do governo federal é prejudicial para o crescimento do país. "O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) continua no campo das promessas, na carta de boas intenções", destacou. "O governo continua gastando muito e mal. Com esse ritmo de investimentos, o Planalto não vai conseguir cumprir o plano", alertou.

As críticas do tucano se referem ao fato de o volume de recursos desembolsados pela União para investimento ter sido menor que o montante utilizado para outros gastos nos três primeiros meses do ano. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, os investimentos cresceram apenas 7,1%, enquanto os gastos com pessoal subiram 10,7% e as despesas com custeio e capital aumentaram 9,8% em relação ao mesmo período em 2006.

Para o deputado Emanuel (SP), o governo vive de propaganda. "O PAC é, na verdade, o plano de aceleração da comunicação", observou. "Os resultados da área econômica mostram que o governo não tem interesse em fazer o país crescer. Parece que não tem plano algum", criticou. "Mas nós vamos cobrar resultados do governo. Não ficamos dois meses analisando medidas provisórias do PAC à toa", concluiu.

Fonte: www.psdb.org.br

Deputado chama Marina de cara-de- pau e a declara inimiga de Rondônia

Roberto Vaz

O deputado Valter Araújo (PTB), em discurso acalorado na sessão plenária da manhã desta quarta-feira (02.05) na Assembléia Legislativa, classificou a ministra Marina Silva com a "inimiga número um do Estado de Rondônia" por ser contra a construção das Usinas no Rio Madeira (Santo Antônio e Jirau) "simplesmente porque vão favorecer e promover o progresso no Estado de Rondônia". Vários parlamentares também comungaram com as colocações de Valter e defenderam ações mais duras contra o que entendem ser "picuinhas políticas da ministra do Meio Ambiente".

Segundo colocações do deputado Valter Araújo, as Usinas do Madeira são as maiores obras que estão contidas no PAC (Projeto de Aceleração do Crescimento), do governo federal, e, por conta disso, contam com total apoio do presidente Lula da Silva. "Como é que uma ministra, no caso Marina Silva, está se apegando a picuinhas políticas para tentar impedir a construção dessas obras tão importantes não apenas para Rondônia, mas para o Brasil. Com as Usinas, vamos alcançar a superação de geração de energia elétrica e é por isso que o presidente Lula até já contratou especialistas internacionais para analisar a viabilidade das obras. Não podemos aceitar relatórios produzidos pelo Ibama, pois os mesmos contêm inverdades por atender a vontade apenas da ministra do Meio Ambiente. O absurdo maior é ela ter a cara-de-pau de dar ao Ibama do Acre poderes para fiscalizar as madeireiras estabelecidas em Rondônia", desabafou Valter Araújo.

Em aparte, o primeiro vice-presidente da Assembléia Legislativa, deputado Alex Testoni (PTN), ao tempo em que parabenizou Valter Araújo, fez questão de dizer que "é a vez de Rondônia. Estou triste com a ministra Marina Silva por ser contra a construção das Usinas. No Acre, tudo pode. Só aqui que não pode nada. Cadê os representantes do Partido dos Trabalhadores para defender o projeto do presidente Lula. As Usinas a serem construídas em Rondônia são as maiores obras do PAC. Precisamos agir em prol do desenvolvimento do nosso Estado. Estou indignado com o posicionamento assumido pela ministra em desfavor de Rondônia". O deputado Euclides Maciel (PSL), líder do governo na Assembléia Legislativa, também saiu em defesa da construção das Usinas de Santo Antônio e Jirau. Falou que o presidente Lula não é contra o projeto e disse ter assistido pela televisão "o puxão de orelha que o Lula deu na ministra Marina Silva. Não sei o motivo que, apesar disso, ela se mantém no cargo contra o PAC do governo federal".

Na opinião de Valter Araújo está faltando é sensibilidade ao Ibama quando da elaboração de relatórios sobre os impactos ambientais que irão provocar com as Usinas do Rio Madeira. "O que acho estranho é a ministra defender Usinas de Carvão. Essas Usinas, sim, causam degradação ao meio ambiente, pois precisam de madeira para funcioná-las". Já o deputado Tiziu Jidalias (PMDB), também em aparte, falou que a classe política de Rondônia tem defendido a construção das duas Usinas. "A ministra Marina Silva é sim a inimiga número um de Rondônia. Poderia dizer até que sua atitude é de terrorismo por ser contra o progresso rondoniense, já que é contra a construção das Usinas". Ele defendeu até manifestações de políticos de Rondônia em Brasília contra o posicionamento da ministra e os relatórios do Ibama. E, ao concluir seu discurso, Valter Araújo sugeriu a realização de audiências públicas na Assembléia Legislativa para se debater com maior amplitude a viabilidade da construção das Usinas de Santo Antônio e Jirau no Rio Madeira, em Rondônia.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Imprensa acreana cala sobre resultados do Ideb

Mapeamento do MEC sobre situação do ensino básico e médio no estado não será visto nos jornais locais por uma razão simples: as informações confirmam que a educação acreana vai mal

Cinco dias após a divulgação dos dados reunidos pelo Ministério da Educação sobre a situação do ensino fundamental e médio nos estados e municípios brasileiros, os jornais do Acre não dedicaram ao tema nenhuma matéria. A explicação para o silêncio é simples: o levantamento confirma a suspeita de que algo está errado com o ensino acreano, fato antecipado pela pífia colocação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), no qual o estado amargou a penúltima colocação e cuja eficiência como instrumento de avaliação o governo insiste em desqualificar.

O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é um indicador criado pelo governo federal para orientar o direcionamento de verbas da educação. O cumprimento das metas previstas resultará em mais dinheiro para que estados e municípios invistam no ensino. O levantamento foi dividido em duas fases: da 1ª a 4ª e da 5ª a 8ª série. E calculado com base em dados de 2005 do Prova Brasil e do Saeb (Sistema de Avaliação do Ensino Básico), realizados pelo MEC a cada dois anos.

O Brasil tem hoje Ideb médio de 3,8 na primeira fase (1ª a 4ª série), 3,5 na segunda fase (5ª a 8ª série) e 3,4 no ensino médio.

Segundo o levantamento, a situação atual do ensino no país é dramática. Das 4.349 cidades avaliadas, apenas 243 conseguiram média igual ou superior a 5 numa escala que vai de zero a dez. O Acre recebeu média 3,3 no ranking estadual, o equivalente a 12ª colocação. E nenhum município do estado atingiu 5 pontos.

O melhor desempenho é de Rio Branco na primeira fase (1ª a 4ª série), com média 4,2. Mas na segunda fase (5ª a 8ª série) o município recebeu decepcionantes 2,8 pontos. Em seguida aparece Cruzeiro do Sul, com médias 3,6 e 3,8. Xapuri figura em terceiro lugar, com médias 2,9 nas duas fases.

A pior colocação é do município de Manoel Urbano, com média 1,9 no ensino de 1ª a 4ª série.

Explicação necessária
Como em sua maioria os colegas jornalistas se acostumaram a receber tudo mastigado da assessoria de comunicação do governo, o assunto Ideb passou em branco. No universo jornalístico acreano todo tema que não gira na órbita oficial tem sido plenamente ignorado, o que demonstra o despreparo que reina na maioria das redações.

Pior do que isso apenas a atuação dos imprudentes por natureza, que saem a dar publicidade a qualquer boato que ouvem pelas esquinas. Sequer se dão ao trabalho de checar as informações que publicam, ou as corrigem após confirmação contrária.

Deveriam ficar restritos a seus blogs, afinal banidos dos meios de comunicação por comprovada inépcia profissional.

Lula não vai à missa de São Bernardo. Já não precisa

Reinaldo Azevedo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estará na missa de logo mais na Igreja Matriz de São Bernardo. É a primeira vez em 26 anos que falta ao evento religioso do 1º de Maio. Em 1979, esteve presente. Em 1980, não pôde ir porque estava preso desde o dia 19 de abril. Foi representado por familiares. O acontecimento serviu como um ato de protesto contra o regime militar. No ano seguinte, ele estaria de volta. E nunca mais deixou de ir. Até este 2007. Desta vez, será representado pelo ministro da Previdência, Luiz Marinho, já lançado pré-candidato à Prefeitura de São Bernardo. Também é uma das figuras da República Sindical escaladas para chamamentos futuros. Alguns tentarão ver nisso alguma simbologia. Acho que tem. E não é aquela que está na superfície, mascarando o real significado.

Na superfície, poder-se-ia inferir que a ausência de Lula revela o descolamento do PT das causas populares — essa é a crítica que setores à esquerda (dentro da própria legenda) fazem ao partido. Lula teria se tornado um líder já sem esse traço sindical — “de classe” ele nunca foi. Besteira. A ausência do Babalorixá dá conta do poder petista, de como ele se consolidou e se tornou mainstream, dispensando mesmo os rituais de renovação de votos. Quem duvidar que veja a chamada regulamentação das centrais sindicais (leia abaixo). Com uma penada, o “ausente da missa” irá transferir a esses aparelhos nada modestos R$ 100 milhões. É um fatia do imposto sindical que fica com o governo — fora o que os sindicatos associados já lhes pagam.

O poder da República Sindical dispensa a presença de Lula em missas. Havia a fase em que ele comparecia como resistente, aquele que combatia o regime militar. Depois, era o militante do povo contra o “neoliberalismo” de FHC. Em seguida, veio o presidente que não renegava as suas origens. Agora, ele já pode descansar, dado que está em curso outra mitologia: o do salvador do planeta. Pode mandar pra lá um de seus cortesãos, um de seus arquiduques — a estrela da festa já iniciou a sua campanha para 2008. Em sua cidade-berço, é bom lembrar, o PT foi governo por míseros dois anos apenas, com Maurício Soares, que saiu do partido no curso do mandato. A cidade nunca quis saber do PT.

A ditadura ajudou o partido. Eu estava na missa de 1980. Helicópteros do Exército sobrevoavam a praça, e era possível ver a baioneta lá do chão, entre rezas e vaias. Pra quê? Pra nada. Mas aquilo tudo simulava um ato de coragem dos heróis que aí estão contra um bando de ditadores trapalhões. É claro que o resultado, 27 anos depois, haveria de ser uma pantomima.