sexta-feira, 29 de junho de 2007

Informações de Brasília

Do blog do jornalista Fernando Rodrigues

O Senado se arreganha para o mundo – o novo presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), está sendo investigado pelo STF sob acusação de “crimes de quadrilha ou bando, peculato [desvio de verbas] e fraude a licitação”. Renato Casagrande (PSB-ES) foi convidado, desconvidado e reconvidado para assumir a relatoria do Renangate. Três outros senadores já renunciaram a suas funções no conselho.
Comentário do blog: o Senado se iguala à Câmara em termos de depauperação de sua imagem.

A “saída Sarney” para Renan – está em gestação avançada a “saída Sarney” para o Renangate. O senador maranhense que se elege pelo Amapá sugeriu há duas semanas aos pizzaiolos do Senado uma estratégia simples. Primeiro, dizer que a quebra de decoro de Renan não foi configurada, pois não haveria evidências de que o alagoano recebeu dinheiro da Mendes Júnior... E os bois? E as vacas? E os açougues que negam ter comprado carne? Bom, nesse caso pode ser um crime tributário ou outra coisa na área criminal. Assim, só caberia ao STF investigar. Envia-se tudo ao Supremo para que o enterro do episódio seja com toda a pompa e circunstância.
Palpite do blog: é pule de 10 que a saída possível para Renan é essa sugerida por Sarney. Mas será um estupro para a imagem de Senado.

Roriz se complica – o discurso do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) no plenário do Senado para se defender da acusação de corrupção teve direito a choro, apelos a "Deus e a Nossa Senhora" e, acredite, a uma sessão de penitência na Catedral de Brasília, onde cumpriu a promessa de ajoelhar-se e rezar.
Comentário do blog: falou, falou e não disse nada. A chance de Roriz ser o boi de piranha de Renan é enorme.

Lula latino – o petista está em Assunção, no Paraguai. Participa da reunião de cúpula de presidentes dos Estados membros do Mercosul. Ontem, durante cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente aproveitou o discurso para veladamente defender o senador Renan Calheiros, que estava presente. "Uma coisa que me inquieta como cidadão é que não temos como execrar uma pessoa sem que antes ela tenha um julgamento", disse Lula.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Sabia que o Sibá sabe assobiar?

Às vezes me surpreendo com as análises dos colegas da grande imprensa sobre determinados fatos políticos. Acabo de ler texto sobre a atuação do senador Sibá Machado (PT), de autoria do jornalista Josias de Souza, do qual reproduzo três parágrafos antes de comentar. Veja:

"Grupo de Renan critica Sibá e o chama de ‘traidor’

O consórcio governista acomodou Sibá Machado (PT-AC) na cadeira de presidente do Conselho de Ética do Senado com o propósito deliberado de proteger Renan Calheiros (PMDB-SP). Nos últimos dias, porém, o grupo fiel a Renan passou a observar Sibá com um pé atrás. Criticam-no de forma acerba. Em privado, chamam-no até de “traidor”.

Integrantes da tropa de choque de Renan decidiram procurar a líder do PT, Ideli Salvati (SC). Foi dela a idéia de confiar a Sibá a presidência do conselho, e por conseqüência, o comando do processo contra Renan. Pretende-se pedir a Ideli que “enquadre” Sibá.

Os aliados do presidente do Senado enxergam na movimentação do “traidor” um súbito viés anti-Renan. Acham, por exemplo, que Sibá não tinha nada que envolver a Polícia Federal na perícia dos papéis que Renan apresentou em sua defesa. Afirmam que o trabalho deveria ter sido realizado exclusivamente por técnicos do Senado".


Comento: Chega a ser ingênuo tratar o assunto como se nele houvesse um laivo qualquer, por menor que seja, de independência. Sibá não tem autonomia política porque sequer teve votos. Está sentado na cadeira da senadora Marina Silva e até agora não honrou o nome que a acreana tem. Se a sua atuação no Conselho de Ética do Senado parece tomar outros rumos, é porque os ventos mudaram para o senador alagoano. A situação de Renan Calheiros só fez complicar desde que apresentou as "provas" de sua defesa, várias delas desmentidas pelo Jornal Nacional. A mim pareceu óbvio que o presidente do Senado perdera a musculatura quando o petista Eduardo Suplicy pediu mais esmero no exame da papelada. Sibá Machado não tem tutano para contrariar as disposições do seu partido. A leitura mais sensata dos episódios narrados por Josias de Souza é que o PT abandonou o barco de Renan Calheiros. E ele não demora a naufragar.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Droga é problema de saúde pública e violência urbana

A Apadeq (Associação dos Parentes e Amigos dos Dependentes Químicos) estima que 60% dos usuários de drogas no Acre têm entre 15 e 24 anos. A desestruturação familiar, o desemprego e a falta de opções de lazer são as principais causas apontadas pelo presidente da entidade, Antonio Balica Inácio, para o abuso de drogas e a dependência química.

Durante a programação da IX Semana Nacional Antidrogas, que iniciou na segunda-feira e terminará no domingo, órgãos governamentais e não-governamentais encamparam a idéia de que a prática do esporte pode prevenir danos a outras centenas de jovens vulneráveis ao abuso das drogas.

“Mais importante que isso, porém, é o envolvimento dos governos estadual e municipais nas atividades de prevenção e recuperação dos dependentes químicos”, afirmou Inacio.

Por iniciativa do deputado Donald Fernandes (PSDB), foi realizada ontem na Assembléia Legislativa sessão solene sobre o tema. Fundador da entidade junto com um grupo de pessoas, Donald tem cobrado do governo estadual ações que reforcem o trabalho das comunidades terapêuticas no Acre.

“Fazemos o trabalho de recuperação de dependentes químicos com a força de vontade dos voluntários e com a solidariedade dos doadores, mas esse trabalho renderia muito mais frutos se os governos abraçassem a idéia de que droga é problema de saúde pública e de violência urbana”, afirmou.

No início do mês o deputado apresentou proposta na Assembléia para que 5% dos impostos arrecadados com bebidas alcoólicas no Estado sejam destinados às instituições que tratam dos dependentes químicos.

Recuperação
Segundo Inácio, a Apadeq recupera cerca de 40% dos dependentes químicos que chegam ao final do tratamento de nove meses. Existem hoje 41 internos nas dependências masculina e feminina da entidade em Rio Branco e Cruzeiro do Sul.

Além das internações, a Apadeq realiza atendimento ambulatorial. No mês de maio passaram pela Apadeq mais de 4,3 mil pessoas.


Comento: A língua da ministra do Turismo Sexual, Marta Suplicy, tem múltiplas funções. Uma delas é nos dizer o que fazer quando os petralhas mostram sua incompetência para resolver problemas. O governo Lula, aliás, deveria adotar o lema "relaxa e goza" para todos as mazelas do país - da carga tributária extorsiva aos menores abandonados, dos hospitais sucateados à corrupção. A imagem acima me foi enviada pelo assessor jurídico do CRM-AC, Dr. Miguel Ortiz.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Frase

"O problema do Brasil, no fundo, não é o esquerdismo, não é a corrupção, não é a violência, não é nem mesmo o “poder secreto”. É o desprezo atávico pelo conhecimento, ao lado de um amor idolátrico aos seus símbolos exteriores: diplomas, medalhas, honrarias acadêmicas, títulos honoríficos".
Olavo de Carvalho, filósofo brasileiro, autor de O Imbecil Coletivo. Conheça o site dele aqui.

Secretário se cala sobre diárias de R$ 1 mil

O deputado Donald Fernandes, líder do PSDB na Assembléia Legislativa, lembrou hoje que o secretário de Saúde, Osvaldo Leal, não respondeu requerimento enviado no dia 8 de maio em que pede esclarecimentos sobre diárias de mil reais pagas a médicos que se deslocam de Rio Branco ao Juruá. Segundo Donald, o silêncio de Leal só lhe reforça a conclusão de que o pagamento é ilícito, já que sequer consta nos contras-cheques dos médicos.

O presidente da Aleac, Edvaldo Magalhães, pediu cópia do requerimento.

Do blog do Altino

José Carlos dos Reis Meirelles. Leia a íntegra aqui.

"Ou o Governo Federal fecha todos os estabelecimentos que não possuem a papelada para poder receber seus recursos, principalmente na Amazônia, ou teremos que parar de trabalhar em campo. E me parece que a idéia é mesmo esta. Vai todo mundo para as capitais de estados, cada um se senta diante de um computador e se dana a escrever estórias irreais acerca dos poucos índios que ainda teimam em morar no mato, ou passa o dia jogando paciência, mandando e recebendo e-mails bobos ou vendo mulher pelada na internet, com a despesa paga pelo Estado".

Comento: Mais do que ninguém, o Altino Machado sabe o que é isso.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Afinal, para que serve o Senado?

Fernando Rodrigues

"Pós-Tuma veio o senador da floresta e sem voto, Sibá Machado (PT-AC). É o suplente-presidente do Conselho de Ética. Lançou-se com avidez à tarefa de absolver Renan. É ajudado por Epitácio Cafeteira (PTB-MA), relator do processo e ícone do velho Brasil. A dupla não quer julgar. Quer salvar."

BRASÍLIA - A iminente absolvição de Renan Calheiros explicita uma vez mais a crise de identidade do Senado. Não é uma Casa revisora. Não pune seus membros. Guarda em segredo suas mazelas. Afinal, para que serve mesmo o Senado?

A Câmara pode até ser um antro com 300 picaretas, como disse Lula um dia. Mas seria injusto acusar os deputados de leniência absoluta.
Embora assem pizzas, dezenas já foram ejetados da vida pública. No Senado, só um foi cassado até hoje. Como se senadores fossem seres mais puros e decentes do que seus colegas deputados.

Não é necessário vir a Brasília para verificar como Senado e Câmara têm códigos diferentes de prestação de contas ao país. Basta entrar na internet. Sobre os deputados é possível saber até quantas voltas dariam na Terra com o combustível recebido. Dos senadores só há biografias anódinas.

O Renangate é marcado por uma sucessão de escárnios. Primeiro, o caso caiu nas mãos de um político semi-aposentado, desprezado em seu partido e ávido por encontrar uma sinecura para os filhos desempregados: o corregedor (sic) Romeu Tuma (DEM-SP). Não se dignou a dar um telefonema para açougues de Alagoas indagando se ali eram vendidas picanhas, filés, maminhas e cupins renanzistas.

Pós-Tuma veio o senador da floresta e sem voto, Sibá Machado (PT-AC). É o suplente-presidente do Conselho de Ética. Lançou-se com avidez à tarefa de absolver Renan. É ajudado por Epitácio Cafeteira (PTB-MA), relator do processo e ícone do velho Brasil. A dupla não quer julgar. Quer salvar.

Nessa toada, os senadores cavam a própria cova. Nada contra. Exceto quando levam junto uma instituição da República. A pergunta "para que serve o Senado?" não deveria pairar no ar como agora. Se assim o é, algo de erradíssimo se passa com a democracia em vigor no país.

Comento: A revista Veja desta semana traz matéria sobre os negócios do senador Renan Calheiros. O texto, assinado pelo repórter Otávio Cabral ("A ética que vem do pasto"), afirma que a sugestão do nome de Sibá Machado para presidir o Conselho de Ética do Senado partiu do senador Romero Jucá. Renan só concordou depois que a senadora petista Ideli Salvatti assegurou que Sibá "faria tudo o que a cúpula do PT determinasse". O que faz mesmo Sibá no cargo inicialmente dado pelo povo acreano a Marina Silva? A ministra não se envergonha do papel desempenhado pelo suplente? Eu sim.

Vida de gado



do blog do Braga.

Prefeitura realiza projeto “praça iluminada”


Atividades esportivas, culturais e recreativas marcaram o primeiro domingo do projeto “praça iluminada”, no município de Xapuri. Promovido pela prefeitura no espaço Caleb Nascimento Mota, através da Secretaria Municipal de Cultura e Desporto, o projeto era inicialmente destinado a crianças entre sete e 15 anos, mas a população aderiu à idéia.

“Recebemos dos menores aos mais idosos”, comemora a diretora de cultura do município, Sirlene Sodré.

Futebol de areia, futsal, concurso de piadas, maratona, corrida do saco, contação de histórias e concurso de calouros foram algumas das muitas atividades do “praça iluminada”. O projeto vai ser realizado duas vezes por mês, sempre aos domingos, de forma alternada.

O prefeito Vanderley Viana de Lima (PMDB) afirmou que a iniciativa demonstra que a carência de recursos obriga o uso da criatividade.

“A prefeitura tem orçamento limitado, mas não nos falta vontade de fazer o melhor pela população de Xapuri”, disse.

domingo, 17 de junho de 2007

Renan agoniza e Lula se diverte

Fernando Rodrigues

Não exatamente por causa de Renan Calheiros, mas Luiz Inácio Lula da Silva teve uma agenda para lá de tranqüila enquanto o presidente do Senado lutava contra um processo por quebra de decoro.

Para começar, Lula recebeu o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, a quem agora só chama de “meu querido Ricardo”. Falou de futebol e brincou quando recebeu de Juvenal Juvêncio uma camiseta do São Paulo Futebol Clube. “O Juvenal, muito bom. Você pode também mandar uns jogos de camisas pra gente usar nas peladas aqui em Brasília. A gente usa de vários times, do Grêmio, de vários. Dá para usar até do São Paulo. Só não aceito do Palmeiras”, disse Lula –um corintiano convicto e grande adversário de palmeirenses.

Teixeira levou para Brasília, a convite, os dirigentes do São Paulo Juvenal Juvêncio e Marcelo Portugal Gouveia. Foi uma deferência. Até porque o São Paulo agora vai apoiar a reeleição de Teixeira para presidente da CBF, em julho. Política futebolística.

A audiência entre Lula e Teixeira foi para a entrega das “garantias governamentais à CBF” e para a “assinatura da Declaração de Governo em apoio à realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014 no Brasil”. Quando tudo terminou, Lula disse a Teixeira: “Bom, Ricardo, você não me leve a mal, mas agora vou trocar você pela Xuxa”. É que a próxima audiência de Lula era exatamente com a apresentadora global para o lançamento de uma campanha educativa.

Enquanto isso, no Senado, Renan Calheiros suava frio.

A cada dia, Lula fica mais forte. O Congresso, mais fraco.

Um perigo.

Para o Gil, aquele abraço

Diogo Mainardi, da Veja

Gilberto Gil me considera o Vavá da imprensa. Ele declarou à Playboy que me assiste todo domingo no Manhattan Connection, porque me acha "bonito (risos), mesmo dizendo essas coisas todas". Para Gilberto Gil, sou inimputável como Vavá. Ninguém pode me responsabilizar pelo que eu digo. Sou apenas, como já cantou o ministro, um "moreno com os olhinhos brilhando", um "bezerrinho", um "homem de Neandertal" de "porte esperto, delgado".

– Empresta dois milhão para mim?

Se Vavá é o Mainardi do lobismo lulista, se ele é o "bocadinho de amor" dos bingueiros de Campo Grande, se sua falta de cultura é usada como um salvo-conduto para livrá-lo da cadeia, suspeito que o fino intelectual do bando seja o compadre de Lula, Dario Morelli Filho. Ele deu uma amostra de sua sagacidade argumentativa num telefonema grampeado para o bingueiro Nilton Servo:

– Quando começa a morrer juiz, todo mundo fica preocupado. Mas não tem uns que têm que morrer mesmo?

Sei perfeitamente que, com meu "corpo eterno e nobre de um rei nagô", eu poderia parar de me importunar com assuntos desse tipo, mas sempre me espanto com as estratégias de acobertamento da imprensa lulista. VEJA noticiou que Vavá levou um empresário ao Palácio do Planalto em 19 de outubro de 2005. Três semanas depois, a IstoÉ Dinheiro fez uma reportagem de capa sobre "O drama da família Lula da Silva", em que os parentes do presidente atribuíam a parada cardíaca de Vavá às denúncias contra ele. Na reportagem, Frei Chico defendia o irmão lobista da seguinte maneira:

– O Vavá sempre foi uma espécie de assistente social não remunerado. Ele procurou ajudar as pessoas. Está na cara que ele nunca levou vantagem desses empresários.

Frei Chico usa o codinome Roberto em seus telefonemas para Vavá. Vavá fala sobre máquinas de terraplanagem com o presidente da República. E o "filho do homem" é uma figura recorrente nas conversas dos bingueiros. Trata-se daquele filho? Trata-se daquele homem? Nilton Servo foi grampeado dizendo:

– O Dario está vindo para cá, entendeu? Para Campo Grande. Está vindo ele e está vindo o filho do homem.

E acrescentou:

– Nem o Vavá sabe disso.

Vavá é para ser usado. Vavá é um lambari. Vavá é um ingênuo. Tanto que o filho do homem conseguiu passar-lhe a perna, aliando-se ao compadre de Lula para roubar-lhe o cliente bingueiro. O mesmo cliente bingueiro que, referindo-se a um empréstimo milionário do BNDES para uma fábrica de papel higiênico, serviu-se de uma elegante onomatopéia:

– Pá, pá, pá. Pum!

Eu, "a coisa mais linda que existe", me pergunto quem é o filho do homem e se a PF rastreou os telefonemas de Dario Morelli nos dias que antecederam a tal viagem a Campo Grande. Eu, "motocross das estradas da ilusão", me pergunto também se o homem da mala no caso do dossiê, Hamilton Lacerda, ex-secretário de Zeca do PT em Mato Grosso do Sul, teve algum contato com esses bingueiros em setembro de 2006.

Só para terminar: o que eu mais aprecio em Gilberto Gil também é seu aspecto físico.

Sobre defesas canhestras e piratas

Os deputados de oposição têm se sobressaído aos da situação nos debates na Assembléia Legislativa. Faltam oradores competentes na bancada de sustentação do governo. Faltam ações do governo que justifiquem defesas mais consistentes na tribuna. Sobram reclamações de que Binho Marques mudou a lógica das relações com os parlamentares da Frente Popular, outrora tratados com brioche e agora insatisfeitos com o desprezo que emana da casa verde.

Faço dois rápidos comentários sobre a atuação na Aleac dos principais defensores do espólio da malfadada florestania. Moisés Diniz (PC do B), líder do governo, conseguiu até agora imprimir aos seus discursos a marca do sarcasmo, que soa mais a desrespeito que a fino humor. Este carece de inteligência para ter efeito, do contrário exibe-se como impertinente zombaria. As defesas de Moisés Diniz às críticas da oposição parecem respostas mal-criadas de quem não precisa dar satisfações à patuléia. Quando depositário da coerência, seu discurso peca pela aleivosia da forma. E perde força ante a seriedade que determinados temas exigem, seja da parte de quem critica quanto do lado dos que defendem.

Já o líder do PT, Taumaturgo Lima, peca pelo excesso do “genérico”. Incapaz de esmiuçar os temas, de apresentar números e expor dados, limita-se a uma cantilena monocórdia sobre as boas intenções dos companheiros, sobre o muito que já se fez, sobre o “nunca antes na história deste país e do Acre” e etc. Um etc. longo e enfadonho, que o deputado malbarata com a inconsistência do palavrório dos que não têm o que dizer. Falta-lhe maior intimidade com as questões técnicas da administração pública, com o funcionamento de suas engrenagens e das atividades que lhe cabem.

Mas se o governo não age, a culpa não pode recair inteira sobre os parlamentares da base de sustentação. Sem nem ao menos os rescaldos da execução, inibida pelo longo e aparentemente infindável planejamento governamental, não há muito que dizer contra os que lhe apontam a inoperância. Do jeito que está, restam apenas as evasivas que põem em desvantagem os “advogados” do novo regime petista.

Por último, a insatisfação dos deputados que não emplacam uns afilhados no serviço público, e por isso fazem corpo mole na Assembléia. Ah, nisso devo confessar que tenho admirado o governador Binho Marques.

Pois governo, afinal, não pode servir de butim aos piratas da política.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

De suspeito, Renan vira condutor da investigação

Do blog do jornalista Josias de Souza

A manobra de proteção ao senador Renan Calheiros tornou-se uma pantomima levada longe demais. Tão longe que o próprio presidente do Congresso se convenceu de que o arquivamento sumário do processo o condenaria a uma absolvição recoberta pelo manto diáfano da culpa. Num último esforço para evitar o impensável, o Conselho de Ética do Senado agarrou-se ao inaceitável: fará uma investigação de fancaria.

Decidiu-se que, num único e escasso dia –a próxima segunda-feira (18)— serão ouvidas as testemunhas e submetido a perícia um monturo de papéis que inclui uma infinidade de extratos bancários, declarações de IR, notas fiscais, recibos e cópias de cheques. Quem fará a perícia? Por ora, ninguém sabe.

As decisões foram tomadas numa sessão presidida, à sombra, pelo próprio acusado. Pelo telefone, Renan Calheiros guiou cada passo de um Conselho de Ética que se pretendia autônomo. Com os olhos grudados na TV Senado, Renan valeu-se do telefone para mudar a direção dos ventos sempre que eles estiveram prestes a se converter em redemoinho.

Surpreendido na noite da véspera por uma reportagem que pôs em xeque sua condição de rei do gado, Renan saltou da cama agarrado a um maço de notas fiscais, atestados de vacinação de rebanho e cópias de cheques. Esgrimiu-os em reunião com alguns conselheiros e líderes partidários. E destacou o assecla Romero Jucá para brandir o papelório diante das câmeras, no Conselho de Ética.

O jogo de cena não teve os efeitos desejados. Parte do conselho manteve-se aferrada à decisão de reivindicar o aprofundamento das apurações. Quando sentiu que a tese, antes minoritária, perigava arrebanhar adeptos inesperados, Renan teclou os números do celular de Jucá. Pediu-lhe que informasse ao conselho que fazia questão de que os novos documentos fossem submetidos a perícia.

Estipulou um prazo conveniente: até segunda-feira. Sugeriu que, já na terça, o conselho voltasse a se reunir. A coisa caminhava bem. Os insurretos PSDB, DEM e PDT puseram-se de acordo. Alguns de modo entusiástico. Outros algo contrafeitos. Súbito, Epitácio Cafeteira, que fora escalado como coveiro do processo, rebelou-se. Ameaçou renunciar ao posto de relator. Um sopro de tensão varreu a atmosfera. Jucá perambulava de orelha em orelha. Arthur Virgílio mastigava as unhas.

Seguiram-se apelos para que Cafeteira reconsiderasse sua decisão. Negou uma, duas, três vezes. Demóstenes Torres (DEM-GO) insinuou uma hipótese plausível: As digitais de Renan, o presidente-sombra da sessão, poderiam estar impressas nos dois movimentos encenados no conselho –o pedido de perícia e a ameaça renúncia. Depois, diria: Eu pedi para ser investigado, mas o Conselho de Ética não quis.

De repente, a turra de Cafeteira amoleceu. O relator, antes irredutível, concordou com a protelação. A causa? Ouvira, pelo celular, um pedido de sua mulher, que, por sua vez, acabara de receber um telefonema de Renan, sempre ele. A pedido do investigado, a companheira do coveiro Cafeteira apelou para que ele se mantivesse na relatoria. Foi atendida.

Depois da meia-volta providencial de Cafeteira, Renan, em novo telefonema a Jucá, “sugeriu” que, além da “perícia” de um dia, o Conselho convocasse para segunda-feira duas testemunhas: o amigo Cláudio Gontijo e Pedro Calmon Filho, o advogado da ex-amante. Nada de Mônica Veloso. Assim, sob a presidência invisível de Renan Calheiros, o Conselho de Ética “deliberou” que fará, como sugerido, oitivas e perícias na segunda. Na terça, volta a reunir-se para “julgar” o caso. Jefferson Peres (PDT-AM) disse, ao ler um “voto em separado”, que uma investigação séria deveria durar “o tempo necessário”. Foi solenemente ignorado.

José Nery (PSOL-PA) sugeriu que a perícia documental fosse feita pela Receita e pela Polícia Federal. Sibá Machado, que supostamente presidia a sessão, disse que planejava recorrer a técnicos do TCU. Romero Jucá apressou-se em esclarecer que a perícia não seria “contábil”. O que se deseja é única e tão somente atestar a autenticidade dos papéis. Encerrada a sessão, sabe-se apenas que a “investigação” vai durar um dia.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Fora por um dia

Hoje passarei o dia fora. Vou acompanhar o deputado Donald Fernandes (PSDB) no encontro promovido pela Assembléia Legislativa em Brasiléia. Até a volta.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Frase

"O Banco do Brasil está extorquindo os funcionários públicos do Acre".
Deputado estadual Walter Prado (PSB) sobre os juros que a instituição financeira cobra de servidores estaduais sobre empréstimos vinculados à folha de pagamento.

Marta se desculpa pelo "relaxa e goza" nos aeroportos

Da Folha Online, em Brasília. Com foto de Leonardo Wen.

A ministra Marta Suplicy (Turismo) divulgou nota na tarde desta quarta-feira se desculpando pela "frase infeliz" feita no lançamento do Plano Nacional de Turismo 2007-2010. Mais cedo, questionada sobre a crise nos aeroportos, ela afirmou: "Relaxa e goza porque você esquece todos os transtornos depois".

Após a polêmica causada pela declaração, a ministra divulgou nota afirmando que não teve o objetivo de "desdenhar" o sofrimento da população que enfrenta filas nos aeroportos, atrasos e cancelamentos de vôos.

Leia mais aqui.

Comentário do blog: Marta Suplicy, Lula, Vavá, Binho Marques, Operação Xeque-mate? Relaxa e goza.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Donald propõe repasse de 5% dos impostos sobre bebidas a instituições de apoio ao dependente

O líder do PSDB na Assembléia Legislativa, deputado Donald Fernandes, quer que o governo do Estado destine 5% dos impostos arrecadados com a comercialização de bebidas alcoólicas a instituições de amparo e recuperação de dependentes químicos. O anteprojeto de lei foi apresentado na sessão de hoje.

Idealizador da Apadeq (Associação dos Parentes e Amigos dos Dependentes Químicos), Donald tem dedicado parte de sua vida à recuperação de dependentes químicos. “Não é fácil trabalhar sem recurso, apenas com a boa vontade dos voluntários e de doadores”, disse o deputado.

Ele cobrou participação do governo no tratamento de dependentes, que no Acre somam 60 mil pessoas. “Em cada pai de família acometido pela doença, a mulher e pelo menos um filho adoecem juntos. Trata-se, portanto, de uma questão de saúde pública”, afirmou.

Donald Fernandes lembrou ainda que 80% dos casos de violência doméstica e urbana estão relacionados ao uso e abuso de álcool e outras drogas. Fortalecer as instituições de recuperação dos dependentes químicos, argumenta o tucano, é prevenir problemas no âmbito da segurança pública.

“O governo precisa agir junto com aqueles que se dedicam a recuperar os que abusam do álcool e de outras drogas”, concluiu.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Brasileiro trabalha sete dias do ano para pagar CPMF

Do BOL

O contribuinte brasileiro trabalha 7 dias por ano somente para pagar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), Gilberto Luiz do Amaral,

Amaral afirmou que "a CPMF tem efeito perverso sobre toda a economia", já que incide na fonte e retira o poder de compra dos salários, ao mesmo tempo em que eleva o preço final das mercadorias e serviços.

De acordo com o tributarista, a conjunção destes dois fatores inibe o consumo, dificulta a geração de empregos e resulta no baixo crescimento da economia brasileira. A CPMF representa em média 1,7% do preço final das mercadorias e serviços.

"Ao ser criada em 1993 como um imposto provisório, a CPMF representou no ano seguinte um desembolso para cada brasileiro de R$ 31,85. Em 2006, cada brasileiro pagou em média R$ 171,76", afirmou Amaral.

O presidente do IBPT também traçou uma relação entre a taxa básica de juros, a Selic, e a alíquota da CPMF. Assim, em 1997, primeiro ano da cobrança deste tributo com contribuição provisória, a sua alíquota foi de 0,20%, enquanto que a Selic daquele ano foi de 22,35%.

"Em 2007, a alíquota da CPMF é de 0,38%, e a Selic ficará por volta de 12%, indicando um crescimento de 254,76% do impacto da CPMF em relação à taxa Selic, o que demonstra que o ônus desta contribuição nos dias atuais é muito maior do que no passado", disse Amaral.

Comentário do blog: A partir de amanhã acorde cedo e dedique a semana para pagar o "imposto do cheque" que o PT sempre condenou mas, uma vez no governo, fez questão de prorrogar.

Marcio Bittar visita Xapuri

O ex-deputado federal Marcio Bittar visita hoje e amanhã os municípios de Brasiléia e Xapuri. "Vou agradecer os votos que tive, conversar com pessoas que amo", disse. Em relação ao prefeito Vanderley Viana, a quem faz questão de agradecer o apoio à dura campanha do ano passado, Marcio afirmou tratar-se de um "guerreiro, um homem que não se rende e não se vende".

Ele se refere à onda de adesismo protagonizada por políticos com ou sem mandato, que da noite para o dia viram petistas desde criancinhas. Do prefeito de Xapuri afirmou também o que até os adversários políticos são obrigados a reconhecer: que Vanderley Viana, reeleito ou não, deixará a prefeitura com o mesmo patrimônio de quando entrou.

Governo Tracajá

Do blog do jornalista Altino Machado

Todos conhecem aquela historinha da árvore que cai em cima do jabuti e o animal consegue sobreviver alguns meses sem comida e água. A árvore começa a apodrecer e o jabuti passa a se alimentar dos bichos que surgem no vegetal.

Talvez a história não tenha nada a ver, mas como o governador Binho Marques (PT) ganha fama pela deliberada lentidão com que conduz sua gestão, bem que o tracajá poderia substituir aquela árvore da marca do "governo da floresta".

Leia mais aqui.

Comentário deste blog: A lentidão se explica pela falta de projeto político. Em oito anos de mandarinato vianista, a lengalenga era a florestania, mas o governo fazia a alegria mesmo era dos empreiteiros. Conheço gente que ficou rica no último ano de mandato, e tento imaginar o milagre da multiplicação do patrimônio dos que mamaram oito. Muitos, inclusive o Altino, passaram a campanha dizendo que a oposição não tinha projeto, como se os petralhas tivessem algum. Florestania é conversa pra boi dormir, neologismo bonitinho pensado pelo Toinho Alves em um dos seus muitos momentos de inspiração, mas que não tem aplicação prática. Binho, o burrocrata, perde-se em questões de gabinete, que ele adora. Concordo com o Altino na crítica, mas sugiro que se adote como símbolo do governo não o tracajá, mas a a preguiça-de-coleira. Como o governador, o bicho é da Bahia.

domingo, 10 de junho de 2007

Jornalista Archibaldo Antunes lança romance

Golby Pullig, d'A Gazeta

Meses de pesquisa, um ano de inteiro de trabalho e seis de espera para ver impresso um desejo nascido diante de um barranco às margens do Rio Acre. “Amazônia dos brabos” veio na forma do primeiro volume da Coleção Biblioteca Popular depois que seu autor, o jornalista e escritor Archibaldo Antunes aceitou convite do senador Geraldo Mesquita Júnior para inaugurar o projeto que prevê a distribuição de títulos literários como forma de estimular a difusão da leitura no Brasil. Escrito em 2001 e revisado duas vezes antes de publicado, o romance narra entre outros fatos históricos, a trajetória de João Gabriel de Carvalho e Melo, cearense e protagonista de um drama pessoal que o colocaria co-mo um dos principais desbravadores do Acre.

O alcance desses acontecimentos sobre o autor do romance recebeu primeiro estímulo do historiador Marcus Vinícius das Neves. A convivência entre ambos garantiu o mote para o livro. “Ele abriu para mim uma janela sobre o passado acreano. Quando fui a Porto Acre tive a idéia de escrever uma história sobre esse assunto”, conta Archibaldo que preferiu não ler outros títulos similares para não se deixar influenciar. A exceção ficou com Leandro Tocantins e sua Formação Histórica do Acre, de onde foram extraídos dados técnicos que dão sustentação ao romance. “Não me preocupei muito com isto. Usei eventos históricos e reproduzi com as cores que a ficção permite”.

Em “Amazônia dos brabos” o leitor terá contato com três momentos da história do Acre que tiveram como protagonistas Galvez, Plácido de Castro e João Gabriel de Carvalho e Melo, entre outros personagens que relatos e documentos reconhecem a existência mas que a própria história trata de negligenciar. Eles se tornam o eixo de narrativas sobre as guerras e conflitos que ponteiam a formação do Estado. Acreditando que existem pessoas com habilidades, talentos e capacidades que conseguem aliar a atitude correta no momento adequado, o autor se distancia da heroização dos seus personagens. “O mais difícil de abordar foi Plácido de Castro. É complicado humanizar os heróis”, avalia.

Livro de graça
O projeto da Coleção Biblioteca Popular foi criado e está sendo executado por ini-ciativa do senador Geraldo Mesquita Jú-nior. É inédito no âmbito do Senado e coloca em prática a idéia de publicar obras de domínio público de autoria de escritores consagrados e que formam o conjunto da literatura brasileira. A dificuldade de penetração no mercado editorial de escritores que vivem fora da região sudeste foi um dos fatores responsáveis pelo atraso na publicação de “Amazônia dos brabos”. Mesmo trabalhando em um novo projeto, um relato sobre a vida de todos os ex-governadores do Acre, Archibaldo sonha com um novo romance. Não quer mais parar de escrever.

Influenciado pelo irmão se tornou leitor maduro, mas o primeiro livro lido apenas aos 12 anos causou impacto. Aos 16 soube que seria escritor. “Minha existência seria condenada à mediocridade se não fossem os livros. É lógico que um escritor quer ganhar pelo seu trabalho, mas não vou me preocupar em ficar vendendo livro de porta em porta”. Com estes Archibaldo Antunes, em sua estréia, não precisa se preocupar. O volume I da Coleção Biblioteca Popular teve tiragem de 5 mil exemplares.

Serão distribuídos gratuitamente. O único pedido que os autores do livro e do projeto fazem é que as edições sejam passadas adiante assim que o leitor concluir a leitura. Uma forma de democratizar o acesso ao livro. “Amazônia dos brabos” será lançado no dia 28 de junho em Rio Branco, às 19 horas, no auditório da Fieac.

sábado, 9 de junho de 2007

Eu quero saber de tudo

Diogo Mainardi, da Veja

Um delegado da Polícia Federal, citado por O Globo, definiu Vavá como "um cara simples, quase analfabeto, que enrola as pessoas". Eu diria que ele possui todos os predicados para suceder ao presidente da República. Vavá 2010.

Dois anos atrás, quando VEJA publicou que Vavá intermediou encontros sigilosos no Palácio do Planalto entre homens de negócios e o principal assessor de Lula, Gilberto Carvalho, ninguém deu bola para o assunto. Por algum tempo, os oposicionistas ameaçaram convocar Vavá e Gilberto Carvalho à CPI dos Bingos, mas acabaram desistindo com o argumento de que a vida particular do presidente deveria ser mantida longe da luta política.

Lula tem direito a uma vida particular? Renan Calheiros tem direito a uma vida particular? Algum político tem direito a uma vida particular? A imprensa acredita que sim. Mais do que isso: a imprensa acredita que pode determinar o que é um fato de interesse particular e o que é um fato de interesse público. Se um político tem um filho fora do casamento, a imprensa o considera um fato de interesse particular. Ela só passa a considerá-lo um fato de interesse público quando uma empreiteira paga suas contas.

Os jornalistas conhecem a intimidade dos políticos. Eles ficam a maior parte do tempo bisbilhotando os detalhes mais sórdidos sobre essa gente. Mas só publicam o que, para eles, estamos aptos a entender. A imprensa atribuiu-se um papel civilizador. Ela argumenta que é uma selvageria julgar um político a partir de seus hábitos privados. Por isso, sonega sistematicamente qualquer notícia a esse respeito.

Eu nunca me escandalizo com o comportamento dos outros. Mas me recuso a aceitar que a imprensa imponha seus valores omitindo os fatos. Se um senador é adúltero, eu quero saber. Se uma ministra dormiu com um presidente, eu quero saber. Se a mesma ministra traiu o marido com um líder oposicionista, eu quero saber. Depois concluo do jeito que quiser.

Os brasileiros acham que o fetiche da imprensa americana pela vida amorosa dos políticos é um sinal de jequice. Eu acho que jequice é delegar a um repórter de uma sucursal de Brasília a escolha sobre o que eu devo ou sobre o que eu posso saber. Os políticos precisam se sentir permanentemente vigiados. Quando a imprensa acoberta seus deslizes privados, termina por acobertar também seus crimes públicos.

A política brasileira é repulsiva. A gente deveria punir os políticos arruinando sua vida particular. Ao contrário do que se diz, não há nada de errado nisso. Se as aventuras sexuais de Marco Antônio foram relatadas pelos romanos, por que os brasileiros não haveriam de relatar as de Renan Calheiros? Renan Calheiros está para Marco Antônio assim como o Brasil está para a Roma Antiga. Marco Antônio 2010. Renan Calheiros 2010

Leal é um bom companheiro

Na matemática dos privilégios reinam as divisões desiguais. O secretário de Saúde, Osvaldo Leal, aplica, por exemplo, a aritmética da camaradagem ao exercício de suas funções públicas. A secretaria que comanda paga R$ 1 mil de diária a um grupelho de bons camaradas que fazem o sacrifício de deixar seus lares para prestar serviços no Vale do Juruá. Sim, mil reais ao dia, como denunciou o médico e deputado estadual Donald Fernandes (PSDB) há quase um mês. Instado a explicar a origem dos pagamentos, Osvaldo Leal se calou.

O que deveria ser apenas um erro de cálculo na tabuada da decência ganha contornos suspeitos ante o silêncio do secretário. Nunca é demais lembrar aos companheiros recalcitrantes que eles não são donos dos bens públicos que quase sempre malbaratam com irresponsabilidade juvenil.

Na quarta-feira, a deputada Idalina Onofre (PPS) cobrou do governo as explicações que Osvaldo Leal se recusa fornecer. Idalina voltou ao tema porque não menos que cinco pessoas de Cruzeiro do Sul a procuraram para pedir auxílio para cirurgias a que precisam se submeter. Ela então quer saber o que fazem no Juruá os médicos que ganham diárias astronômicas.

Há três aspectos interessantes do modo Leal de administrar. O primeiro é que as diárias não são contabilizadas nos contras-cheques dos médicos, o que leva o deputado Donald Fernandes a afirmar que elas são ilícitas. O segundo é que um médico bom companheiro recebe, em uma semana de extras, mais do que aquele que vive no Juruá e presta serviços o mês inteiro. O terceiro aspecto diz respeito aos critérios de seleção de quem pode e quem não pode receber diárias de mil reais.

A matemática do bom senso ensina que quanto maior a vantagem, menor será o número de privilegiados.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Riscos de ser professor

Enviado ao blog pelo professor Ednei Muniz

Saúde dos educadores
A saúde dos professores está em sinal de alerta. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, um em cada dois professores está exposto ao risco de sofrer um ataque cardíaco; constata-se também prevalência de distúrbios advindos do estresse, labirintite, faringite, neuroses e doenças dos aparelhos locomotor e circulatório em docentes; segundo dados oficiais, 60% das solicitações de licença por motivo de doença relacionavam-se a distúrbios nervosos. Além disso, verificou-se, entre pessoas hospitalizadas por doenças mentais, maior incidência de neuroses com depressão entre os professores do que em outras categorias profissionais. Os dados foram apresentados pelo professor Edinei Muniz para justificar a necessidade da criação da Clínica do Educador.

Saúde dos educadores II
O ensino possui características particulares, geradoras de estresse e de alterações do comportamento dos que nele trabalham. Estudos realizados no Brasil têm demonstrado que os docentes estão permanentemente sujeitos a uma deterioração progressiva da sua saúde física e mental. O estresse já é reconhecido por organismos internacionais como "enfermidade profissional", cujos efeitos atingem inclusive o ambiente escolar. É considerado pela OIT não somente como um fenômeno isolado mas "um risco ocupacional significativo da profissão". A clínica do educador é mais que necessário nesse contexto.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Frase

"O governo do PT é corrupto que se alia a outros corruptos".
Deputado Luiz Calixto, hoje na Assembléia, sobre o pagamento de R$ 3,7 milões ao ano que o Detran vai fazer a empresa Elizeu Kopp e Cia Ltda por doze radares na capital.

Sessão conturbada

Radares
Os 12 radares que custarão quase R$ 4 milhões por ano aos cofres públicos virou bate-boca hoje na Assembléia Legislativa. A denúncia é do deputado Luiz Calixto (PDT), que ironizou a confusão que o líder do PT na Casa, Taumaturgo Lima, fez entre a quantidade de radares e a de placas que indicam a existência daqueles.

Aos gritos
O clima esquentou quando o pedetista teceu críticas a Mancio Lima Cordeiro, irmão de Taumaturgo, e atual secretário da Fazenda. Aos gritos, o petista exigiu "mais respeito".

Questão de estilo
Calixto aproveitou para criticar o estilo chavista do governo, que determina a linha editorial dos jornais acreanos. Lembrou que o assessor Oli Duarte, nos dias de sessão, senta-se entre os jornalistas para "influenciar suas opiniões". De fato, Oli não faz nada além de cochichar ao ouvido dos repórteres e falar ao celular, seu esporte predileto.

O chavista Diniz
Ao defender hoje o colega Taumaturgo das críticas do deputado Calixto, o comunista Moisés Diniz confessou-se "chavista". Disse ter orgulho de sê-lo. Como uma estultície sempre anda acompanhada de outra, Moisés Diniz afirmou que se ofenderia em ser chamado de "bushista". São tantas as asneiras ditas pelo parlamentar que fiquei em dúvida se ele é "chavista" por causa do ditador venezuelano ou por causa do seriado do SBT. "Foi sem querer querendo..."

Hospital sem médicos
A deputada Idalina Onofre (PPS) reclamou de que o hospital de Cruzeiro do Sul, inaugurado quatro vezes nos últimos anos, não dispõe de médicos. Ela lembrou denúncia do colega Donald Fernandes (PSDB) sobre pagamento de diárias de R$ 1 mil a médicos de Rio Branco que se deslocam ao Juruá. "O que esses médicos estão fazendo, já que nesse fim de semana cinco moradores de Cruzeiro foram à minha casa necessitando de cirurgia?", questiona-se a parlamentar.

Baratas
Idalina concluiu dizendo que o hospital do seu município foi "entregue às baratas".

Mutreta
Donald Fernandes aproveitou o assunto para lembrar que há mais de um mês solicitou da Secretaria Estadual de Saúde informações sobre as diárias de R$ 1 mil pagas a médicos da capital que se deslocam ao Vale do Juruá. Como os valores não constam nos contras-cheques, Donald afirma que no negócio tem "mutreta".

Aritmética
Na aritmética dos privilégios, um médico amigo do secretário de Saúde que passa uma semana em Cruzeiro do Sul recebe mais do que o que mora lá e trablha o mês inteiro.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Raimari escreve

Caro Archibaldo:

Fico feliz que tenha assumido a responsabilidade pelo blog Xapuri Verdade, que parece ter sido criado por alguém que algo temia, pois antes que você passasse a aí escrever, postavam nesse espaço maledicências sem que os textos fossem subscritos. Atitude odiosa que você, ressentimentos à parte, cumpriu com o dever de eliminar.

Esta mensagem, no entanto, não possui nem de longe o objetivo de lhe tecer elogios, senão de tentar recompor algumas imprecisões publicadas no seu comentário na postagem Leitor quer resposta de radialista, que diante do seu reconhecido espírito democrático, acredito que reservará alguns minutos para avaliar.

Jamais censurei opiniões contrárias à política que você afirma que defendo. Prova disso é que no programa de rádio que apresento na Rádio Educadora 6 de Agosto, tenho recebido representantes de todas as correntes políticas de Xapuri, entre os quais o próprio prefeito Vanderley Viana, que por três ou mais oportunidades sentou-se comigo frente ao microfone daquela emissora.

Pode-se dizer, certamente, que três oportunidades para que o prefeito, maior autoridade civil do município, pudesse utilizar aquele veículo público para falar de suas ações seja muito pouco. Também acho. Mas esse fato deu-se pela incapacidade que o prefeito possui em dialogar sem partir para a agressão verbal e outros destemperos. Não sabe ser cordial. O que é uma pena.

Outro fato é que a recusa do prefeito em fornecer a sua versão sobre os fatos, o desabilita a acusar a quem quer que seja de distorcer as informações. A medida tomada pelo prefeito de impedir que funcionários e secretários concedessem entrevistas jamais possuiu caráter preventivo contra mim, e sim contra a possibilidade de divulgação de desmandos que, possivelmente, motivaram algumas drásticas decisões tomadas recentemente, e que até esse momento encontram-se mal explicadas.

Quanto aos comentários seus que me recusei a postar, explico a atitude pelo desejo em não dar prosseguimento em uma discussão tola e, ao mesmo tempo ofensiva, que passamos a travar em virtude de nossas diferenças de postos e pensamentos. Ao contrário do que afirmou, também sou amante da liberdade de expressão e, apesar de reconhecer que esta realmente encontre muitos atravanques à sua efetiva prática no nosso país, seja onde for, garanto-lhe que morrerei defendendo-a como uma das mais fundamentais garantias da nossa Constituição.

No mais, coloco, com sinceridade, o espaço daquela simples e mal escrita página na internet, bem como o singelo programa que me atrevo a apresentar, à sua inteira disposição para fazer os comentários que achar necessário, apesar de você haver afirmado que se ocupa de meus textos para fins lúdicos e considerar que o termo apedeuta seja um predicado que me caia bem, com certeza pelos deslizes gramaticais aos quais fez questão de enumerar no seu blog por algumas oportunidades.

Estarei publicando resposta ao leitor do seu blog.

Atenciosamente, Raimari Cardoso.

Respondo: Altercações fazem bem a pessoas civilizadas. Do achincalhe, do menoscabo, das ofensas mútuas passou-se a um tom menos agressivo. Lá e cá. Abdiquei aos termos pejorativos, reconhecendo-lhes a impropriedade, e observo que o Sr. Raimari carrega menos nas tintas ao criticar o prefeito Vanderley Viana. Críticas são necessárias, reconheço. Mais necessário que elas, porém, é o senso de justiça que não pode faltar a quem critica. Vale, por exemplo, citar os destemperos do atual prefeito, desde que com a devida ressalva de que são menos graves que os desmandos praticados pelo antecessor. Entre um político rude e outro ladrão, fico com o primeiro. E tolero quem vota no segundo.

Rir é o único remédio

Buemba! PF descobre tanta quadrilha que só falta o pinhão, a pinga e a paçoca!

Buemba! Lula visita a Índia. E assim que ele e a dona Marisa chegaram a Nova Délhi eles abraçaram imediatamente o hinduísmo. O Simão acha que eles abraçaram mesmo foi o "indoísmo". Eles estão sempre "indo" para algum lugar! Rarará! Aliás, a filosofia da dona Marisa é: "Moro no mundo, passeio em casa!" O problema não é o Lula viajar. O problema é ele voltar!

Leia mais aqui.

Desculpem a nossa falha

No post aí embaixo escrevi espera com "x". É de exasperar qualquer um. O lapso já foi corrigido.

Na volta ao Brasil, Alckmin retoma ataques a Lula

Do blog do jornalista Josias de Souza

De volta ao Brasil, depois de usufruir de uma bolsa de estudos de quatro meses em Harvard, Geraldo Alckmin retomou a prática de seu esporte predileto: bater naquele que o surrou na disputa presidencial de 2006. “O Lula ganhou um novo mandato, mas o Brasil não ganhou um novo governo”, disse Alckmin. “Já se passaram seis meses e nenhuma reforma, seja a política, trabalhista, tributária ou a continuação da previdenciária andou. Enquanto isso continuam os casos de corrupção no governo”.

O último escândalo de corrupção, lancetado pela Operação Navalha é amplo e pluripartidário. Alcança, por exemplo, o governador tucano de Alagoas, Teotônio Vilela Filho. Mas sobre isso Alckmin não disse palavra.

Os dois projetos políticos do ex-presidenciável são a obtenção da presidência do PSDB, no final do ano, e o lançamento da candidatura à prefeitura de São Paulo, em 2008. Sobre esses dois temas, porém, Alckmin foi só desconversa: “Ainda é muito cedo para discutir isso; a eleição está longe e vamos avaliar o melhor momento para conversar sobre o assunto. Além do mais, não estou pensando em cargos".

Jorge Viana ajuda Lula a governar o Brasil

Romerito Aquino, da Agência Kaxiana

Considerado amigo e aliado do presidente Lula, o ex-governador do Acre, o petista Jorge Viana, idealizador do conceito de florestania (cidadania na floresta), é hoje uma espécie de conselheiro pontual tanto do governo de seu estado, que ele começou a transformar em modelo de sustentabilidade amazônica, quanto do governo federal, onde ajuda a ministra e conterrânea Marina Silva, do Meio Ambiente, a consolidar a transversalidade ambiental em todos seus ministérios, empresas, autarquias e fundações.

Comentário deste blog: os petralhas acham que nós somos burros. Depois de uma luta renhida e de uma espera vexatória por um ministério (qualquer unzinho) no governo do companheiro Lula, Jorge Viana teve que se contentar em dar aulinha de desenvolvimento para empresário acreano. Disseram na época que ele preferiu "ficar no Acre". Agora eles voltam com a história de que Viana ajuda Lula a governar (não sei se rio ou choro). O príncipe, afinal, virou ministro. Sem pasta.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

O futuro é agora

No encontro organizado ontem em Sena Madureira pela Aleac (Assembléia Legislativa do Estado do Acre) com vereadores e outros representantes das comunidades do Alto Purus, o deputado Luiz Calixto (PDT) disse que está na hora de darmos um basta aos planejamentos estatais que acabam miseravelmente em coisa nenhuma. A iniciativa do presidente da Assembléia, Edvaldo Magalhães, do PC do B, em envolver os parlamentares estaduais e as comunidades nos debates sobre desenvolvimento e inclusão social é louvável sob todos os aspectos, mas sobretudo por tirar da clausura uma instituição marcada pela inoperância que caracterizou o longo período em que esteve à frente daquela Casa o antecessor de Magalhães, Sérgio Petecão.

O perigo das boas intenções, porém, é que elas permaneçam exatamente boas intenções. Nos últimos anos, muitos projetos e investimentos foram anunciados pelo governo como capazes de trazer bem estar à população, dinamizar a economia e gerar empregos. Passado o tempo, ficou-nos a constatação de que era puro ilusionismo de quem lança mão de truques políticos para manter-se no comando.

O discurso do deputado Calixto é correto por chamar a atenção sobre o aspecto mais visível de um governo até agora feito para os olhos. O Acre precisa de menos consultores e mais autoridades comprometidas em buscar soluções para o conjunto dos graves problemas que presenciamos. Desatracar da fase do planejamento, como disse o pedetista, e afinal navegar nas ondas da execução deve ser o objetivo maior de toda autoridade imbuída do dever de levar adiante um estado cujo maior avanço foi conquistado na área da publicidade governamental.

Envolver a Assembléia Legislativa nos debates sobre progresso é uma atitude elogiável. Mais ainda será se não passar de um factóide para desviar a atenção do eleitor enquanto o governo consome tempo e impostos em planejar o futuro – que deveria ser agora.

Frase

“O problema da oposição é que ela usa a mentira como norma de conduta no debate político.”
Carioca Nepomuceno, no Página 20 de hoje.

Comentário deste blog: o problema do Carioca é que ele se acha dono da verdade.

Deu no jornal

Nota da coluna Poronga, do jornal Página 20, desta sexta-feira:

Amazônia dos Brabos
O jornalista Archibaldo Antunes lança no fim deste mês o romance “Amazônia dos Brabos”. A obra foi publicada no Senado Federal, por iniciativa do senador Geraldinho Mesquita (PMDB). Entre outras histórias, o romance reconta a saga de João Gabriel de Carvalho e Melo, desbravador do Acre.